Menu Fechar

o meu percurso até aos antidepressivos | lidar com depressão

Eu sei que mencionei que o próximo post seria sobre os passos parar criar conta Revolut, mas nestes últimos dias tenho tido várias conversas sobre este assunto e por tal considero este artigo prioritário. 

Então, vamos lá falar sobre depressão, antidepressivos, ansiolíticos, calmantes… 

Depressão e cancro 

Dia mau ou depressão?

É claro que durante o cancro vamos ter dias maus. A questão que não podemos aceitar é SÓ termos dias maus.

Não te preocupes, que isso passa…

Muitas vezes, as pessoas que não estão a passar por cancro querem relaxar-nos indicando que “isso passa, estás a sentir isso porque …

  • porque estamos na quimioterapia
  • porque estamos a atravessar menopausa
  • porque estamos com dores da operação
  • porque estamos estamos na hormonoterapia…

Já estão a ver onde quero chegar, não? Tudo descrito atrás é verdade.

A questão é que o cancro é uma situação de vida que vai-nos acompanhar por uns tempos.

Não é ao terminar a quimioterapia que tudo se irá compor rapidamente…

Nem por termos sido operadas e o cancro ter sido removido do nosso corpo

Ou ainda bem pior, quando todos tratamentos terminam e sentimo-nos tudo, menos sentirmo-nos saudáveis ou sem cancro…

Assim, há muito para lidar. E por vezes, mesmo sendo mentalmente muito fortes, necessitamos de sossegar um pouco os nossos pensamentos.

Os pensamentos não se traduzirem numa bola de neve que nos conduz ao fim do mundo…

Ou não termos mesmo capacidade de descansarmos minimamente. E o nosso corpo só estar em modo de sobrevivência…

Então, se tem um dia mau, respeite esse dia mau. Como já abordei algumas vezes nesses dias podemos chorar. Estar no escuro. Estarmos no sofá a ver as nossas séries. Até só comer porcarias…

Mas se os dias seguintes continuarem a ser do mesmo modo e o, mais preocupante, a meu ver, quando sentimos mesmo apatia pela vida, devemos procurar apoio profissional

Como abordei anteriormente a fase mais difícil para mim foi depois do fim dos tratamentos. Mentalmente nunca estive tão perto do meu limite. 

Psicologia

Da primeira vez que toquei no fundo decidi procurar ajuda psicológica, que fez-me muito mas muito bem! Mas para ter um apoio rápido e constante tive que pedir ajuda profissional particular.

Que, sinceramente, valeu todo o investimento. Tendo obtido ferramentas que fui aprendendo e utilizando

Mas desta vez, e mesmo utilizando essas ferramentas, senti, novamente a chegar muito perto abismo

Sintomas de depressão

* Desinteresse pela vida

Para mim o sintoma mais angustiante foi a minha apatia para com a vida. Na maior parte do tempo uma tristeza avassaladora. 

Sei que o cancro foi uma situação difícil de vivenciar. E que agora estava numa fase em recolher e analisar os estragos que tal acontecimento teve e tem na minha vida. 

* Cansaço e fadiga

É claro que depois da porrada que levamos sentimo-nos cansadas e sem energia.

Mas, durante os tratamentos arranjei uma energia mental que me levou a tomar algumas decisões para lidar com o cancro.

Exemplo: na quimioterapia sentia que tinha que aprender a cuidar de mim da melhor forma para ultrapassar do melhor modo esta fase, quer pela alimentação, quer pelo exercício, quer pelo poder da mente. Na cirurgia, tinha que dar especial atenção ao meu peito e braço e todo os esforços valeriam a pena. Já na radioterapia a mesma situação, cuidado com todo o meu corpo, mas extrema atenção à zona irradiada

Já neste período só sentia que não tinha energia e capacidade para fazer nada. Especialmente o duro caminho de recuperação após o cancro. 

E eu sei que não sou assim. Parece mesmo algo até externo a nós. Algo que necessita de ser removido do nosso corpo para termos novamente energia, e conseguirmos reconhecermo-nos. 

* Irritabilidade interior

Assim como tinha perdido o interesse nas atividades que mais gosto. Começando estas até a irritar-me.

Isto é, estava irritada por ter que fazer algo que não gostava, mas depois também estava irritada quando “supostamente” até estaria bem, a fazer algo que anteriormente gostava. 

Mas não revelava exteriormente esta irritabilidade na maior parte das vezes… acumulava e acumulava…

* Agressividade

Até que pela mínima coisa o copo transbordava e aí transformava-me num monstro. Que nunca, mas nunca queria saber até que ele existia. 

E, infelizmente, estas situações acabam por recair nas pessoas que mais gostamos

Isto é, temos momentos que depois acalmamos e nem sabemos como vamos viver sabendo o que fizemos

* Culpabilidade

O que leva ao sentimento de culpa. Culpa por estar doente. Culpa por não estar bem. Culpa por não saber lidar com tanta coisa. Culpa disto. Culpa daquilo. 

Psicologo vs psiquiatra

E, novamente, eu sei que eu própria já estava a fazer um enorme trabalho psicológico, que só foi possível pelo primeiro investimento.

Claro que se tivesse possibilidades financeiras faria novamente este investimento, pois considero ser mesmo uma área a trabalhar por todas as pessoas. E que tal iria ajudar-me a recuperar. 

Mas ao mesmo tempo, sentia uma diferença nesta época

É mesmo uma sensação de estarmos doentes, algo por vocês até exterior a nós.

Senti várias vezes, que não estava a reconhecer aquela pessoa que estava a ser. Não estava a reconhecer os meus pensamentos, os meus sentimentos e, principalmente, os meus comportamentos. 

Descobrir que se tem cancro
Fonte: Pixabay

Então e porque não se procura ajuda na depressão?

Por várias razões, mas penso que as mais comuns são:

  • queremos e temos até uma esperança que isto vai passar
  • vestimos o facto de “super guerreiras” e procurar ajuda, quer psicológica ou psiquiatra significa que não somos fortes como julgávamos…
  • há um estigma social para com os anti depressivos, não sendo abordados os seus efeitos e como lidar com os mesmos…
  • algo que precisamos naquele momento e não daqui a 3 meses quando for possível ter uma consulta…e nem sempre as condições financeiras permitem ter as alternativas disponíveis 

Foi então que denotei que estava mesmo a chegar ao meu limite, e que tinha um apoio médico. Até porque considerava que um dos meus problemas era a falta de descanso. Dificuldade em adormecer. Sono profundo muito reduzido. Muitos pesadelos. Dia seguinte completamente exausta….e assim por uns dias, semanas …

Psiquiatria

Dado não estar a fazer hormonoterapia, escolhi uma psiquiatra geral, com boas referências…doctoralia pode até ser uma ajuda. Porém, existem psiquiatras mais relacionadas com o cancro.

Primeira consulta de psiquiatria

Psiquiatria é química, não é trabalho psicológico.

Penso existir uma ideia de consulta de psiquiatria ser uma consulta de psicologia em que no final receita-se medicação. E não.

É claro que o médico psiquiatra quer saber a nossa situação para compreender o que estamos a vivenciar, ou a nossa personalidade.

Mas trabalho psicológico é com acompanhamento de psicologia.

Por isso não vá a um psiquiatra se sente necessidade de um trabalho psicologico.

Psiquiatria importância

Biologicamente produzimos químicos que nós podem ajudar ou bloquear o nosso humor. E psiquiatria ajuda nesse sentido.

Então a medica psiquiatra prescreveu-me um antidepressivo, que tomaria todos os dias de manhã. E um ansiolítico que tomaria meio de manhã e um à noite para adormecer. Podendo tomar dois, caso necessitasse.

Antidepressivo vs ansiolítico 

De um modo leigo, o que entendi é que o nosso organismo produz neurotransmissores, sendo o mais conhecido a serotonina, em que pode ser captado ou não. Assim, o antidepressivo promove esta recaptação.

Já o ansiolítico tem um efeito mais sedativo. Daí, em algumas situações, ser aconselhado uma pequena dose durante o dia, e uma dose superior algum tempo antes de ir para a cama. 

O que senti com esta medicação? | Antidepressivos = estar sempre feliz?

Começamos a tomar esta medicação e não podemos ter a expetativa de que no dia seguinte vamos estar bem, porque isso não vai acontecer.

O que eu sinto é que, passado um tempo, talvez duas ou três semanas, coisas banais que me faziam muita comichão mental e que despoletavam imensos pensamentos negativos, deixam de ter esse efeito.

Posso até ter esse mesmo pensamento, mas o seguimento até a pensar que por aquilo será o fim do mundo termina.

Isto é, há uma interrupção nesta cadeia de pensamentos negativos, que tanta energia consumiam. 

Já o ansiolítico teve um efeito imediato. A primeira vez que o tomei para adormecer tive uma noite de descanso como já não tinha há mesmo muito tempo.

O que surtiu efeito no dia seguinte em que estava mais calma e de um certo modo sentir-me melhor.

Julgava que o corpo se ia habituar, mas até ao momento não sinto que este medicamento tenha perdido a sua eficácia. Por vezes tomo dois comprimidos, que a médica psiquiatra indicou, para dias ainda raros. Situações em que por algum motivo estou tão cansada que não consigo mesmo adormecer. Ou dia super ansioso por várias razões.

De facto, na primeira semana tomei o meio comprimido de manhã, mas sentia que ficava demasiado sonolenta, o que não queria. Queria ter energia para conseguir fazer as minhas coisas e sei que isso daria-me felicidade.

Então deixei de tomar este meio medicamento de manhã. E como estava a alguns dias de ter consulta com a minha oncologista poderia abordar esta questão. 

Consulta de oncologia acompanhamento 

Na consulta de oncologia informei a minha médica de ter passado uma fase bastante crítica e ter decidido procurar ajuda médica, nomeadamente psiquiatria.

Tendo abordado a minha situação a minha oncologista mencionou ter tomado uma boa decisão, estando devidamente medicada.

Todavia, na última consulta de oncologia, que não tinha ocorrido assim há tanto tempo poderia ter abordado esta questão, porque realmente é um assunto importante.

Assim, a minha médica de oncologia decidiu marcar consulta para ser acompanhada na Psiquiatria no hospital São João.

Mas dado esta consulta poder demorar algum tempo, passou-me a devida receita.

Quanto tempo se espera pela consulta de psiquiatria no hospital São João?

Eu já estava medicada, por isso sei que não era um assunto urgente. Todavia, passados uns dias recebi carta com convocatória desta consulta, que ocorreria apenas passado 2 meses.

Troca de medicação

Ao ir à minha farmácia habitual fui informada que não tinham esta medicação deste laboratório.

Então, decidi só tratar desta questão quando não tivesse a terminar.

Sabia que medicação, especialmente ansiolíticos, a receita só pode ser levantada durante 1 mês?

Eu não sabia. E entretanto tive algumas situações a resolver e, de facto, só fui levantar a medicação quando já só tinha para alguns dias.

Até que encontrei uma farmacêutica que simplesmente se mostrou irrepreensível.

Começou mesmo com o discurso de que a validade estava indicada na receita [que nem tinha comigo, pois se tenho no telemóvel, não vou andar com mais um papel na confusão da minha carteira]. Tendo a mesma indicado que poderia ver esta mesma receita no portal de saúde. [Eu peço desculpa, mas acho que não sou a única pessoa no mundo a ver num papel datas, códigos e isto e aquilo.]

Então, sai da farmácia sem o medicamento que mais sentia efeito, nomeadamente a ajudar-me a dormir. 

Como resolvi esta situação?

Quando estava mesmo a terminar a medicação fui à mesma farmácia, tendo explicado a minha situação a uma outra farmacêutica. E esta teve uma atitude completamente diferente e por tal recebi a medicação com uma venda suspensa.

E porque é que a primeira não me fez uma venda suspensa, até porque eu já conhecia a data da próxima consulta de psiquiatria? Porque há pessoas que querem seguir as leis às cegas, julgando-se grandes profissionais. Quando a meu ver ser um grande profissional é aquele que consegue lidar com todas as circunstâncias de uma determinada situação…

Laboratórios diferentes

Mas também neste dia não tinham os medicamentos dos laboratórios que estava a tomar.E como já só tinha para esse dia arrisquei e comprei de outros laboratórios.

Não tendo sentido muita diferença.

Porém, uma amiga que também toma antidepressivos e ansiolíticos sentiu diferença significativa.

Assim como, quando fui à psiquiatria do hospital São João a médica aconselhou a não “mudar de laboratórios”, pois apesar da substância ser a mesma, os efeitos podem ser bastante diferentes.

Mas não é isso que se ouve nas farmácias “ah, não se preocupe, é a mesma substância…é igual…”

Assim, na consulta, questione o seu médico psiquiatra quanto ao laboratório mais adequado.

Psiquiatria Hospital São João | Cancro da mama

Então esta consulta decorreu no Centro Mama (sala 4). 

A consulta estava marcada para as 9h, e devido ao acidente atrasei-me um pouco e por tal coloquei o carro no estacionamento IBIS (depois explico como não paguei 1hora…). 

Dado estar no hospital às 08h55 decidi tirar a senha da consulta nas máquinas automáticas (entrada consultas externas).

Sugestão

Máquinas para obter senha da consulta no hospital estarem distribuídas por todas as entradas, principalmente na entrada do Hospital de Dia, o que possibilitaria tirar senha para consultas de oncologia, de alguns exames, do centro da mama….

Mas, infelizmente, a consulta atrasou-se bastante. Fui atendida por volta das 09h50, o que já estava a ser algo desconfortável para mim, dado ter o carro no parque de estacionamento.

Contudo, gostei bastante da psiquiatra, em que senti ter bastante experiência nestes assuntos e tendo sido bastante compreensiva.

Assim, os pontos essenciais desta consulta foram: 

  • continuarei com a devida medicação, pois pelo que foi descrito por mim, os efeitos estavam a ser os pretendidos 
  • devo sempre tomar do mesmo laboratório; se não existir opção, posso tentar um outro; mas estar atenta aos efeitos que esta mudança pode provocar
  • abordei o efeito tão falado da influência do antidepressivo no libido sexual, em que a médica considera que de facto algumas pessoas podem ter este efeito, mas que a principal causa prende-se mesmo com as circunstâncias de vida que até conduziram à necessidade da toma de medicação [já abordei ligeiramente esta questão, mas sendo ainda um assunto tão tabu, quero atualizar o mesmo]
  • na opinião médica a utilização desta medicação deve ser feita, pelo menos, durante 6 meses, o que poderia ter consulta daqui a 4 meses para se pensar no desmame, mas não sendo possível devido à agenda hospital, a próxima consulta decorrerá algumas semanas mais tarde 

Quando fazer o desmame?

Fazer o desmame pode ser algo complicado e, a meu ver, não só pela questão de dependência. Mas saber se nos conhecemos ou se conhecemos a nossa vida

Isto porque, esta medicação demora a fazer algum efeito; mas depois olhamos para trás e situações que nos levavam aos limites fazem-nos agora apenas confusão mas seguimos em frente

E então, julgamos, ou eu julgo que se calhar a medicação já fez o seu efeito e até posso começar a pensar no desmame.

Mas depois começo a fazer questões mais profundas a mim mesma e, se calhar, eu estou bem, mesmo devido à medicação e não por já ter conseguido conquistado o estado de espírito que almejo.

Em que não me passo por estupidezes do quotidiano.

Assim, neste momento, estou com a ideia de “aproveitar” este estado mais calmo devido a esta medicação para ir organizando a minha vida, ir reconquistando a minha energia, o meu quotidiano. E, sim, quando as coisas já tiverem um caminho mais delineado pensar neste desmame, junto com a equipa médica

Estou agora a passar por cancro

Eu não sei o estado da pessoa que está a ler este artigo. Já não é a primeira vez que me perguntam qual a pior fase do cancro. Como devem entender são todas

O que eu acho é que durante os tratamentos vão se descobrindo formas de lidar com as situações, medidas que ajudam imenso, (descanso na quimioterapia, exercícios e mover o corpo após cirurgia, muita hidratação com creme e até gel aloe vera na radioterapia).

Mas depois terminam os tratamentos e ficamos mesmo sozinhas…não há ideias de como lidar….E as pessoas que até querem o nosso bem querem levar-nos à realidade e questionam sobre trabalho, e o que andamos a fazer….e andamos completamente desanimadas.

Já outra realidade é a das pessoas que até podem não ter uma grande simpatia para connosco e neste nosso momento de fragilidade não tem qualquer compreensão. E até ouvimos com muita frequência “ah, a x que teve um cancro muito mau acabou os tratamentos e fez isto e aquilo…”

E o nosso inconsciente cria uma ideia de que os tratamentos foram tão pesados que não vamos conseguir ultrapassar estas condições

E, de um certo modo, o nosso inconsciente tem razão, os tratamentos foram durosprecisamos de tempo de recuperação

E esse tempo não é dado. E penso que tal acontece por ser um período não abordado. Então o desconhecimento do que se vive neste período faz com que não haja informação, não existam dicas práticas.

E pensamos que isto só está a acontecer connosco (isto é, num momento que necessitamos da nossa energia vital, estamos a perder com a falta de conhecimento e de abordagem deste período). 

Gerir expetativas 

Agora, se começarmos a entender que levamos uma porrada durante cerca de 1 ano, que a nossa memória necessita de algum tempo para se restabelecer, que a nossa mente precisa de entender as consequências do vivenciado durante esse período para arranjar os seus modos de lidar, pois cada pessoa tem vida diferente…. se dermos tempo ao tempo as coisas começam a compor-se.

[Claro que, dias piores que outros, mas isso é sempre assim, mesmo antes da treta do cancro..]

Então o objetivo deste post é mesmo o de motivar as pessoas nesta caminhada quer elas estejam no inicio, no fim ou depois dos tratamentos.

É mesmo para indicar que não estamos bem e não depositarmos expetativas no fim disto ou no fim daquilo porque “apenas” temos que aprender a lidar com o cancro.

Para ser sincera, mesmo depois dos 5anos de remissão, que estou a viver com a minha mãe, não conseguimos esquecer de um dia para o outro que tivemos cancro e o que isso representou na nossa vida. 

Mas isso não é viver? 

Sim, é. Quem teve um acidente tem que lidar com a sua nova realidade. A mesma situação para quem tem diabetes ou tem um doença auto-imune.

Cancro é bom na vida?

A questão, a meu ver, é ter-se pintado o cancro muito cor de rosa…E não pelo símbolo do cancro de mama. Qualquer tipo de cancro, infelizmente…

Há uma ideia que o cancro até é uma coisa boa que nos abre os olhos e que a partir dali vemos a vida com outros olhos (de um modo isso até acontece, mas há vezes para melhor, outras para pior…). 

Então, se tivemos um cancro, e agora até andamos um pouco mais desanimadas porque estamos a ver como isso influenciou a nossa vida em tantas áreas (familiar, relacionamentos, financeira, profissional, pessoal, capacidades…) podemos receber ideias como “oh, não podes ficar assim….”… 

Não, a meu ver, pode e deve ficar assim algum tempo, não pode é ficar só assim… Mas passou por algo difícil, mas a vida continua e por tal os desafios continuam.

Pode ainda não sentir a sua energia, mas com o tempo ela vai regressando. E não se esqueça do seu caderno de gratidão…Um dia vai sentir algo como “Espera…Eu já tive mesmo assim?…”

conclusão | antidepressivos e ansiolíticos

  • há fases da vida difíceis de suportar, e se existem medicamentos que nos ajudam a lidar com as mesmas, penso que temos que abordar estes assuntos com outras perspetivas, de modo a quebrar este estigma social
  • assim, se não se sente bem, procure ajuda médica; em casos de cancro aborde esta questão com o seu oncologista; se demorar demasiado procure ajuda profissional 
  • porém, tal como qualquer outra medicação há efeitos negativos (que abordarei mais tarde), mas o mais preocupante, a meu ver, é a possibilidade de dependência e de necessidade de dosagens cada vez superiores para “suportar” a nossa vida
  • não olho para estes medicamentos desta forma, considero que em vez de só sentir-me cada vez mais perto do abismo, queria um estado mais calmo para ir recuperando energia, a minha energia
  • e recuperando essa energia ir resolvendo as questões, o que implica um trabalho psicológico 
  • caso não tenha possibilidades para pedir esta ajuda psicológica profissional não desista, invista na sua rede de amigos, invista em si e no que gosta, conheça pessoas novas, procure novas perspetivas de lidar com a vida… 
Posted in cancro, cancro da mama, condições, exercício físico, gestão emocional, tratamentos, viver depois do cancro

4 Comments

  1. Andreia

    Agradeço-te pela paciência e pelo carinho com que vais escrevendo estes artigos que tanto nos ajudam. Beijinhos

    • maisumahistoria

      Olá Andreia,
      A questão é que sei mesmo o turbilhão de emoções que passamos nestes tempos.
      E quanto mais abordados, mais opiniões, dicas vão-se formando, na minha opinião.
      Obrigada por todo o carinho

  2. Luísa Silva

    Olá Lara,
    Como é que uma pessoa que não conheço pessoalmente pode estar a ser tão essencial como tu, numa das fases mais difíceis da minha vida?
    Obrigada por tudo, tudinho =)

    • maisumahistoria

      Olá Luísa,
      Obrigada por todo o carinho =)
      E força 😉

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.