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Como estou | 18 meses após cirurgia mama

Quando estava em tratamentos pesquisei algumas vezes histórias de mulheres com cancro da mama para saber como estavam passados uns meses.

E este post é sobre isso. Como estou passados 18 meses após a cirurgia à mama. Assim como tentar responder às questões mais colocadas. 

dores na mama

Então, para mim, há 2 tipos de dores

Quanto às primeiras, felizmente, creio não ter sentido mais essas dores

cancro da mama sintomas

De facto, raramente o cancro da mama despoleta dores. Mas eram umas dores mesmo estranhas, como se apanhasse um enorme choque eletrico mas apenas numa zona especifica da mama. E na mama doente

dores mama tratamentos oncológicos

Já depois dos tratamentos, as dores foram muitas. E estas deveram-se devido à cirurgia conservadora à mama, em que fizeram uma pequena reconstrução. 

E como os médicos indicam ainda tenho uma mama nova, então as saliências são muitas. E ao tocar nesta as dores são muito significativas

consultas de acompanhamento

E quanto às dores considero que as consultas de acompanhamento são deveras pertinentes.

Isto porque, eu continuo a palpar o meu peito. Mas dadas as saliências, o tecido fibroso, é complicado fazer uma palpação clara.

Mas como a autora Christiane Northrup, indica em vários dos seus livros, não devemos palpar as nossas mamas com meio, com receio de apanhar algo. Mas sim, com um sentido de amor. 

Quanto ao tecido fibroso, o meu médico radioterapia dá-me sempre um raspanete, em como devo continuar com as massagens terapêuticas, dado ter uma tendencia para acumular liquido na mama e debaixo da axila

E, de facto, quando “me esqueço” o peito fica mais duro e com mais algumas dores. 

é possível adiar consultas?

Sim, já alterei consulta de oncologia e consulta de radioterapia. Mas apenas quando tinha terminado os tratamentos oncológicos

oncologia acompanhamento

A consulta de oncologia foi nos meses de férias 2019 em que para alterar a consulta tive que ir, presencialmente, ao secretariado de oncologia. Posso mencionar que tentei estabelecer contacto telefônico, mas sempre sem sucesso. 

Dado ainda faltar algum tempo para essa consulta, foi-me questionado o período em que teria mais disponibilidade, de modo a esta consulta ser marcada nesse período. 

Onde entreguei o papel da consulta recebendo mais tarde um telefonema ou carta. Em que acabei por receber carta com nova data

Como normal, nos dias anteriores a esta consulta recebi uma notificação, via sms, do hospital são joão. 

radioterapia acompanhamento 

O meu namorado ia ter uma operação, que necessitava de acompanhamento, em que só se soube o dia na semana anterior e foi exatamente o dia da consulta de radioterapia. 

Assim, mal tive esta informação entrei em contacto com o secretariado de radioterapia, explicando a situação. Tendo a consulta sido desmarcada e que depois receberia nova data por carta.

Deste modo, esta consulta realizou-se cerca de 3 semanas depois. Não tendo existido qualquer problema. 

frequência das consultas

Depois dos tratamentos fiquei admirada com a quantidade de vezes que teria que regressar ao hospital. Quer seja para a realização de exames, de análises, de consultas (de onco, de radio, de cirurgia…).

E tive mesmo ideia de criar uma timeline de modo a quem passasse por esta situação se apercebe-se que eram raros os meses que não teríamos que fazer uma visita ao contexto hospital. Pelo menos, nos meses seguintes aos tratamentos oncológicos. 

Todavia, ao responder às questões colocadas por algumas meninas senti que estava a provocar uma certa preocupação

Isto porque, mencionava como tinha sido a minha frequência e notava que se fossem chamadas com mais frequências julgavam os seus casos mais graves e ficavam preocupadas. Outras, apercebiam-se que não eram chamadas com tanta frequência, e isso também as preocupava

cancro da mama comparações

E tal como na situação anterior foram várias as vezes em que questionei se eu ao abordar a minha história estava mesmo a fazer bem a outras pessoas. Ou estava a criar nestas expetativas não reais, não cumprindo o meu propósito.

Assim, refiro novamente que cada caso é um caso.

E por tal, os tratamentos, a recuperação, o percurso não deve como tem mesmo que ser diferente de pessoa para pessoa

E depois há que entender que a nossa situação é sempre analisada segundo determinado conhecimento da altura; das condições (exemplo greves tem um forte impacto no adiamento de cirurgias…); do próprio contexto e até da própria equipa médica.

porque é que tudo corre mal no meu caso?

Se estamos cá, se vamos vencendo o cancro, é porque não está tudo a correr mal no nosso caso.

Mas, não há mesmo ninguém, que tenha corrido melhor do que começou a ser definido. 

Então, abaixo vou colocar pontos que me “deitaram abaixo” mas outros pontos de outras histórias:

  • cancro e infertilidade
  • porque não criopreservação de embriões, quando se tem um relacionamento, em detrimento de ovócitos, dada a taxa de sucesso ser mais baixa?
  • saber que vai ser colocada em menopausa, existindo diversos efeitos secundários
  • ter que atrasar a próxima sessão de quimioterapia dado não ter imunidade suficiente
  • ter que fazer mais sessões de quimioterapia
  • depois da cirurgia ter que fazer, novamente, quimioterapia 
  • apesar de ter corrido bem, não ser possível optar pela cirurgia conservadora
  • ter que fazer esvaziamento axilar
  • ter que fazer mais sessões de radioterapia do que toda a gente que conhecia (e se elas ficaram com a pele queimada, como é que eu iria conseguir?)
  • tomar diferentes medicamentos, mas depois o nosso corpo apenas não suportar (meu caso zoladex e depois tamoxifeno
  • e, claro, erros administrativos | condições a necessitarem de serem repensadas | quando não nos avisam que para marcarmos consulta temos que ir ao secretariado, mas no outro serviço já é na receção central…e para umas coisas é farmácia geral do hospital; para outras é farmácia oncologia… que já devíamos ter começado isto ou aquilo, como se nós soubéssemos…
E porque é que falo nisto? Para passar a ideia que não há um caso que não tenha tido as suas adversidades

E depois a vida continua, logo as adversidades na recuperação também

De um modo geral, sei que entrei em depressão alguns meses após o fim dos tratamentos oncológicos. Mas agora, estou bem e mais abaixo abordarei como deixei os antidepressivos.

Todavia, a adversidade mais complicada de gerir foi linfedema

linfedema

Então, eu sabia que não é por não ter desenvolvido linfedema durante a radioterapia, que tal correspondia a nunca vir a ter esta situação. Mas tinha uma esperança.

As dores no braço são sempre algumas. Mas algo bastante suportável e não rotineiro.

Até que poucos dias após a minha última consulta de radioterapia comecei a sentir dores muito fortes no braço

Dores principalmente ao tocar, como se tivesse nódoas negras, especialmente no antebraço e no pulso.  

Comecei a ter mais cuidados, do que os habituais, assim como apostar na realização de exercícios, mas nada. As dores mantiveram-se ou pioraram

# tudo sobre esvaziamento axilar 

Assim, e porque ainda faltava 2 meses para ter consulta no hospital, decidi ir ao meu centro de saúde, de modo a procurar ajuda profissional, concretamente de fisioterapia

[Quanto a este ponto, conheço algumas meninas que mal foram operadas solicitaram este apoio profissional, sendo indispensável neste período. Relembro que, até ao momento, não fui chamada para consulta de medicina física do hospital] 

Esta situação ocorreu nos inícios deste ano mas ainda não iniciei a fisioterapia. Dado:

  • 1 semana e meia para ter consulta no meu centro de saúde
  • 2 semanas de espera para ter primeira consulta num centro de fisioterapia [liguei para 7 clinicas e este era o período mais breve]
  • depois desta consulta recebo a informação que terei que esperar entre 2/3 semanas dado não existirem vagas para as sessões
  • entretanto sou chamada mas com a atual situação, covid-19, a clínica fechou temporariamente

Mas, felizmente, estou bastante melhor das dores

O que fiz?

  • continuei com os exercícios de reabilitação;
  • tive todos os cuidados possíveis;
  • e porque depois fui percebendo que as dores eram aliviadas quando elevava o braço, procurei fazer esta ação sempre que possível; assim como dormir com uma almofada para elevar o braço
  • massagem drenagem linfática  

linfedema fotos

sintomas

Ou seja, além de não conseguir tocar nesta zona; tornando-se incomodo até vestir-me. Tendo optado por andar com roupas mais largas.

O braço, em alguns dias, ficou com algumas “pregas”. É como se tivesse uns elásticos pequenos a apertar o braço. 

Bem como, a pele estava extremamente seca, apesar de hidratar com frequência. 

a vida continua…

Já tive das situações na cozinha bastante graves, tendo até uma delas ocorrido quando estava na quimioterapia. E ambas ocorreram no braço esquerdo.

Então, o meu namorado está-me constantemente a chamar atenção para ter mais cuidados.

E é de todo positivo e mesmo essencial. Porém, a vida continua e com isso os problemas.

Por exemplo, a minha gata sempre que me arranha é no braço esquerdo. E acredito que se entrar em pânico ficarei pior. Isto é, quero aceitar a vida. 

Fazer os possíveis para não ter problemas, mas caso estes surjam tentar lidar com os mesmos do modo mais calmo. Porque a vida continua e ainda bem que tenho estes problemas. 

antidepressivos e ansiolíticos 

Eu sei que este tema é algo polêmico.

Sinceramente, não sei a razão, pois a vida pode-nos colocar em situações que não conseguimos mesmo lidar

Depois dos tratamentos oncológicos, senti isso. Como já abordei, foram várias as razões que me levaram a entender que estava a passar por uma depressão

E eu abordei este assunto no blog não com o intuito de que quando estamos mal temos que adormecer os nossos problemas.

Mas sim para desabafar de que não estava de todo à espera de ter a reação que tive para com a minha vida.  

E que sem ajuda profissional considerava não conseguir arranjar as forças para lidar com os problemas da minha vida. E, sim, os antidepressivos e os ansiolíticos ajudaram-me

Numa primeira fase dei tempo à medicação para funcionar, pois não é algo que se sinta logo. De facto, por vezes até pensava “será que isto está mesmo a fazer algo?”. Mas depois refletia um pouco melhor e entendia que não estava apática com a vida. Estava agora “normal”. 

E aos poucos a minha energia foi regressando e ai fui tentando resolver a minha vida. 

Assim, meio ano após esta toma, já tinha organizado muitos pontos. Neste sentido, e porque só teria consulta no hospital passados 3 meses, decidi ir a novamente ao sistema de saúde privado, de modo a abordar o desmame. 

desmame

Tal como a toma desta medicação foi uma decisão minha e algo ponderada. O desmame também o foi.

Porque sentia que tinha conseguido obter novamente a minha energia. 

Devo mencionar que ter iniciado o desmame e saber que dali a 2 meses teria uma consulta de psiquiatria no hospital, deu-me algum alento. Pois pensava algo como se sentir algum efeito terei a possibilidade de discutir brevemente.

Mas, felizmente, não senti efeitos notórios

Em determinadas situações de stress posso ter sentido não ter tanta paciência ou reagir de um modo um pouco mais reativo, mas nada demais. E nada algo que não possa trabalhar. 

importância do trabalho interior

Porém, considero que esta medicação foi-me positiva porque durante a mesma fui continuando a fazer um trabalho interior abismal.

Eu descobri que a escrita tem em mim um poder absoluto. 

Mesmo quando não consigo compreender e lidar com uma situação, escrevo sobre a mesma e há algo que acontece, tenho uma estimulação de diferentes perspetivas; consigo largar coisas velhas e construir coisas novas. 

Mas acredito que tal não seria possível se não tivesse meses feito um investimento em ajuda profissional. Sendo um investimento que gostaria de fazer na minha vida, num futuro próximo. 

e aparência? 

Nunca pensei que a questão cabelo mexesse tanto comigo, mas afinal eram anos e anos de cabelo comprido, que eu adoro. 

Então, tenho muitas saudades do meu cabelo. Daquela minha aparência.

Mas ao mesmo tempo, e porque vou mesmo ter que fazer este caminho, estou a aproveitar para fazer uns penteados que em condições normais não faria. E que até gosto. Mas que são passageiros. 

Quanto à minha aparência física sinto-me muito bem.

Como já abordei, há uns meses atrás, numa altura em que não tinha forças para nada, fui “arrastada” pelo meu namorado para irmos para um ginásio e foi algo que teve um impacto gritante na minha vida.

Sobretudo em sentir mais energia (cocktail de recuperação). E ao desparecimento da constante fadiga e extremo cansaço

esvaziamento axilar e natação

Uma menina questionou-me se eu conseguia nadar, sendo uma paixão dela e ter receio não conseguir após esvaziamento axilar.

Antes de tudo, eu não sabia nadar. Mas dado estar tão entusiasmada com este nosso projeto de saúde como casal, fui tentando perder o medo, e fui recetiva à aprendizagem que o meu namorado sempre quis fazer e aos poucos lá fui aprendendo a nadar.

Claro que agora não sou uma nadadora profissional, mas é algo que eu nunca pensei vir a conseguir; tendo também descoberto uma atividade que me traz muita tranquilidade.

Assim, posso dizer que sim, conseguimos nadar, ao nosso ritmo, claro, após esvaziamento axilar.

Porém, nas semanas que tive linfedema, praticamente não conseguia nadar, pois as dores eram muitas

mudaste a tua vida?

Dado existirem tantos casos de cancro, acho que é passada uma ideia que depois de um cancro a nossa vida muda completamente e…sempre para melhor

Eu acho que a nossa vida altera-se bastante. Como acontece com qualquer situação intensa que ocorra na nossa vida.

Quanto não seja pelas diferenças físicas; pelas diferenças cognitivas; como mudamos com as pessoas e como as pessoas mudaram para connosco. Bem como todas as adaptações necessárias. 

Mas acho existir uma ideia de que depois é tudo tão positivo. E eu não sinto isso. Nem gosto dessa ideia, pois é só falar com alguém que atravessou cancro e que está à espera de um exame qualquer, que rapidamente entende que há um medo do cancro

Além de que, falando por mim sei que perdi muita paciência com coisas rotineiras e que com isso possa ter ficado uma pessoa menos simpática

o que ganhaste e o que perdeste com o cancro?

Quando me fazem esta questão tento logo saber se é sobre relacionamentos que, geralmente, é.

Isto porque, há uma ideia de que ao passar por cancro os amigos vão multiplicar-se, o que, quase sempre, não se verifica.

As pessoas não sabem lidar com a palavra cancro. Ninguém sabe, de certa forma

E, muitas vezes, as pessoas afastam-se pois não sabem o que dizer; o que fazer. Até com receio de nos magoarem.

Porém, com o cancro, muitas pessoas podem também revelar-se. Isto porque, há alturas que temos que ser a nossa prioridade e isso nem sempre é bem visto pelos outros.

Assim, e como tudo na vida, há que existir um grande equilíbrio e entender o nosso lado e os outros lados. Mas sempre com a ideia que temos que cuidar de nós. E não há mal nisso.  

Neste sentido, sinto que perdi relacionamentos mas não há mal.

Enquanto que outras relações tiveram momentos singulares (uma das minhas melhores amigas, durante a radioterapia, e foram 6 semanas, enviava-me uma mensagem nossa. Algo tão impactante!)

Mas algo que estou bastante contente é a minha relação comigo mesmo, em que denoto agora que apesar de ser uma pessoa com alguma compaixão e empatia, raramente as aplicava a mim

E, isso, é algo que penso com alguma frequência: porque é que não nos tratamos como tratamos a nossa melhor amiga? 

outras mudanças:

  • alimentação | mais variada; não sigo uma dieta específica; mas tenho hoje em dia uma maior curiosidade gastronômica, pois constatei que a alimentação é um grande meio de prazer para mim
  • exercício físico | tornou-se mesmo numa necessidade; faz-me sentir bem e ajuda-me a combater a fadiga 
  • suplementos alimentares | eu tinha alguma reticência, pois julgava que a alimentação conseguia preencher tudo, mas agora e até devido à necessidade de combater a falta de memória com omega3, reconheço a pertiência de alguns constituintes, porém, qualquer toma deve ser do conhecimento do nosso oncologista 
  • gestão do stress | sei que fiquei mais impaciente com a vida, então tento procurar uma melhor gestão do stress através de algumas ferramentas como tentar olhar alguma situação de um outro ponto de vista, mas também tentar acalmar a mente, com meditação, de modo a que não expluda apenas com uma gota de água

cancro e viagens

Pensei se deveria ou não escrever sobre este tópico, mas a pessoa em questão até pediu para abordar sobre o mesmo, então cá vai.

Ainda na linha de “se ter que mudar a vida depois do cancro” uma menina estava algo stressada pois só lhe colocavam questões de carreira, em que ela ainda não se sentia pronta para abraçar qualquer desafio profissional. Ou então, sobre viagens, pois todas as pessoas a seguir ao cancro tentam fazer grandes viagens.

A minha ideia é que cada pessoa é que sabe o que quer. Mas que eu considero que ao vivenciarmos um cancro, nós e os nossos, entendemos que nem sempre teremos todo o tempo do mundo.

E isso leva a que não pensarmos “oh, se não for este ano vou para o outro, ou o seguinte”…não! há mesmo uma necessidade de colocar os nossos sonhos em prática e que as viagens podem ser o nosso sonho. 

Eu tenho muitos sonhos associados a viagens. E, felizmente, mesmo antes do cancro consegui colocar alguns na minha realidade

Mas os nossos sonhos podem e não devem ser só viagens. Há tanto mas tanto na vida. 

E como eu tinha abordado com essa menina, na minha opinião, durante o cancro; depois do cancro; na vida; devemos procurar coisas que nos façam bem. E é isso que interessa!

E se as pessoas têm uma ideia que não é bem a realidade (exemplo: passados uns dias do fim da radioterapia já estamos ai como novas…ou que querer estar em casa com os nossos hobbies não é ser saudável) apenas temos que saber o que importa para nós

Curiosamente, eu senti o contrário, em que dado ter várias dificuldades financeiras, as minhas viagens foram vistas como caprichos.

Mas para mim, para o meu namorado, foram apenas uma necessidade, dado o ano de tratamentos que conseguimos ultrapassar. 

já escreveu os seus desejos?

E termino este post com uma referência ao momento que estamos a viver que é o de isolamento social, devido ao covid-19.

Considero que ninguém estava preparado para viver estes tempos, até porque não dava para “imaginar” tempos como estes. 

Porém, é o que é, e por tal, penso ser importante no entretanto irmos vivendo do melhor modo possível.

A vida não fez uma pausa, continua. É nos dado tempo para estarmos connosco; para estarmos com os nossos; para estarmos com as nossas coisas. E isso é vida!

A quem está a passar por cancro neste período não posso dizer que o desafio não é maior. Claro que é.

Mas também acredito que, por vezes, temos forças que não conhecíamos e é nestas alturas que precisamos delas

E porque é essencial pensarmos no que queremos fazer daqui a umas semanas, meses. Já pensou no que quer fazer? E se sim, o que precisa de fazer para ir preparando algo?

Escreva os seus desejos, os seus sonhos. Acredito que será algo que lhe dará algum gozo. 

conclusão | cancro recuperação

  • o cancro foi para mim um acontecimento intenso e, por tal, trouxe-me muita coisa que tive que lidar, que nem sempre consegui, daí a ter procurado ajuda profissional
  • mas, ao mesmo tempo, trouxe-me muitas aprendizagens, que sei que enriqueceram a minha vida
  • ou seja, não é algo que desejava que tivesse acontecido, mas como qualquer outro acontecimento intenso na vida, geralmente, não estamos preparados para lidar com ele, exigindo muita força e energia da nossa parte
  • e às vezes, ok, mas outras, não é de todo ok e não há mal nisso
Posted in cancro, cancro da mama, recuperação

6 Comments

  1. Andreia Teixeira

    Muito obrigada por mais um dos teus artigos espetaculares.
    You Rock Girl
    Love you

    • maisumahistoria

      Oh, querida Andreia, obrigada pelas tuas palavras e por todo o teu apoio!
      We rock 😉

  2. Ana Gomes

    Olá!
    Antes de mais obrigada por este blog! De tanta informação que procurei, não encontrei nada que respondesse a todas as perguntas que eu tinha, que para mim até são bem simples e diretas.
    Neste texto abordas um ponto no qual eu estou com muita dificuldade. Passo a explicar, tenho uma familiar a lutar contra um cancro da mama, já foi operada e está a realizar Hormoterapia. A minha grande dificuldade é a relação pessoal que tenho com ela, ou seja nunca sei se estou a apoiar de mais ou de menos. Não quero que pareça que estou a sufocar, mas não quero parecer distante e, por outro lado não quero parecer demasiado optimista mas sei que não ajudo se for pessimista. Sabendo de antemão que tudo isto varia de pessoa para pessoa, que cada uma sofre e vive a situação à sua maneira, pergunto do ponto de vista de quem está a viver um cancro, o que é que conforta?

    • maisumahistoria

      Olá Ana,
      Como deve compreender não sei como a pessoa está a reagir a toda a esta situação.
      Por exemplo, passei “bem” durante a quimioterapia; mas já a fase de radioterapia, acompanhada de hormonoterapia foi simplesmente terrível para mim. Falo nisto, porque nesta altura, precisei mesmo de não estar bem. Antes de aceitar qualquer apoio, tinha eu que estar preparada para a situação e o apoio.
      Mas dado receber muitas perguntas sobre pessoas que querem ajudar, tenho 2 artigos que exploram um pouco mais estas questões:
      https://maisumahistoria.pt/como-falar-com-pessoas-com-cancro-o-meu-cancro-nao-e-pior-que-o-teu/
      https://maisumahistoria.pt/como-ajudar-doentes-com-cancro/
      Espero que lhe seja útil
      E força, pois sei que para a rede próxima de quem passa cancro, a situação é também ela muito complicada.
      Lara

      • Ana Gomes

        Olá Lara,
        A pessoa está a reagir de uma forma que eu não compreendo, embora a aceite e respeite, porque é esse o meu papel enquanto familiar. Retirou a mama completa, faz hormoterapia como já disse e há pouco teve uma trombose – efeito do Tamoxifeno. No entanto, quando falamos do assunto, o que ela me diz é que ” está tudo bem, é uma fase, é uma situação que é para ela e que terá de a ultrapassar”. Eu até entendo este optimismo e acho-o bom, mas soa-me a pouco verdadeiro. Parece que diz mais o que parece bom de se dizer, do que ser verdadeira com o que sente, com o que está a passar…e é neste ponto que estou com muita dificuldade, porque sinto que a pressiono e, quando não o faço sinto que a abandono. Vou ler esses 2 artigos, obrigada por tudo!

        • maisumahistoria

          Olá Ana,
          A verdade é que essa pessoa com cancro está mesmo a passar por muito. É a doença, os tratamentos que nos deixam de rastos. As mudanças físicas (a mama é algo muito sensivel para qualquer mulher). Ao passar pela menopausa (consequência do tamoxifeno) o psicologico pode ser muito afetado…
          Ou seja, logicamente essa pessoa tem mesmo muito para desabafar, muito para lidar.
          Mas o facto de, aparantemente, não o fazer pode dever-se a várias coisas:
          – pode a pessoa não estar preparada para falar;
          – pode a pessoa só querer falar com pessoas que estejam a passar pelo mesmo (das meninas que acompanho são várias nesta situação) e não se fala com a rede mais próxima porque é mesmo tanta coisa que se fica com a ideia de que ninguém nos vai compreender, que se falassemos tudo o que se está a passar vai-se passar a ideia que estamos a “exagerar” ou a “fazer-se de vítima”
          – pode a pessoa não querer mesmo falar com a ana sobre este assunto; neste período tive uma ou outra amiga em que o assunto cancro quase nunca foi abordado. mas essas conversas sem abordar o cancro foram, para mim, tão importantes quanto as que eram sobre a doença oncológica. Isto porque, queremos também ter um controlo da vida e a nossa vida não passar a ser só cancro.
          O mais importante é a pessoa sentir que a Ana está preocupada com ela e que está lá para ela.
          E se quiser fazer algo que a ajude de qualquer forma pense no que essa pessoa mais gosta. Filmes; livros; música; artesanato; cozinha e faça algo nessa temática.

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