Menu Fechar

Descobri que tenho cancro da mama e agora? | 6 conselhos lidar com o cancro

A fase inicial da luta contra o cancro é das mais dificeis por várias razões.

Mas a principal razão é não sabemos o que vai acontecer nos dias seguintes. Assim, este artigo tem o proposito de passar uma ideia como será e como pode preparar-se para esta batalha

Cancro | Gestão emocional 

Há que entender que a maior parte das pessoas que recebe uma noticia que tem cancro não estava à espera

O mundo cai, no sentido que o cancro vai passar a ser o centro da vida. Mas não se sabe como vão decorrer os dias seguintes (seremos logo operados?).

Não entendemos a linguagem técnica. O que significa termos um cancro de grau 3 ou grau 1, e o que isso poderá implicar

Dias seguintes à descoberta do cancro 

Cancro | exames iniciais

Assim, e de um modo resumido, os dias seguintes começarão a ser passados no hospital. Isto porque, qualquer decisão médica terá que ser tomada com suporte de exames.

Podendo estes ser marcados por telefone ou carta. Assim, a partir deste momento torna-se importante andar sempre com o telemovel consigo. 

Mas a quantidade de exames será, inicialmente, elevada. Então esteja preparado para tudo. Ligarem-lhe para um exame apenas passado meia hora de um outro exame. Nestas situações informe sempre da sua situação (Eu vou fazer o exame x meia hora antes, há problema?). 

Geralmente, indicam quando realiza um exame mais demorado (exemplo cintigrafia ossea ou PET). Assim como quando necessita de fazer jejum

Quando começamos com os tratamentos oncologicos?

Quando descobrimos o cancro podemos ouvir “vá tratar disto o quanto antes”. E lá vamos nós aos locais que nos indicam. Começamos a gerir a nossa vida à volta de exames e consultas, mas depois tudo demorará tempo.

E passado o choque inicial da noticia, vamos digerindo a informação e vamos ganhando uma força para enfrentar esta situação. Mas por vezes esta nossa energia esbarra com os tempos dos hospitais, o que leva a que muita gente sinta uma frustação hospitalar

Fazemos um exame, mas depois a consulta de oncologia, que possivelmente será o momento que recebe uma ideia do seu plano de tratamento. Ou seja, se começa pela cirurgia ou quimioterapia, só é marcada para a semana seguinte.

E depois na consulta de oncologia, e no caso de iniciar pela quimioterapia, podem também informar que só tem vagas na semana seguinte

Assim, desde que sabemos que temos cancro até começarmos nos tratamentos oncologicos poderá passar várias semanas.

Eu tinha uma ideia de tal pelo caso da minha mãe. Mas depois como ainda tive que fazer tratamento para preservar a fertilidade, julguei que tinha demorado um pouco mais por esta questão. Mas não, tenho conhecimento de outras pessoas que  não fizeram estes tratamentos e também demoraram mais que um mês. 

Cancro da mama

A par da realização de exames, procurei informar-me sobre todas as etapas e, principalmente, o que poderia fazer para atenuar a situação. E com sorte fui descobrindo pontos que acredito terem realmente ajudado.

Cancro mama mulheres | Cancro da mama homes

Por exemplo, a pior quimioterapia foi a primeira de cada ciclo [no meu caso foram dois ciclos], pois não sabia como o corpo ia reagir. Depois, e com o apoio de muitas pesquisas consegui contornar, por vezes, os efeitos deste tratamento. 

E o mais importante, para mim, foi sentir que não tinha perdido completamente o poder na minha vida.

Mas vou então falar das dicas que daria a alguém que soube recentemente que tem cancro. 

1. Para tratar do cancro tem que tratar de si

Este é um tempo que vai ter que ser a sua prioridade. Pelas várias histórias, apercebi-me que muitas vezes as nossas prioridades não estão geralmente no topo da lista.

Há as prioridades relacionadas com os filhos. As prioridades de casa. As prioridades do trabalho. As prioridades de alguém que precisa de nós. E de vez em quando lá vem uma prioridade nossa. E, com o cancro, isto altera-se completamente. 

Contexto familiar

No momento que contamos à família que temos cancro há sempre um elemento que se disponibiliza a ir connosco.

Há determinados exames, como PET, que será mesmo pedido um acompanhamente. Sendo importante também nas consultas, devido à elevada quantidade de informação

Contexto profissional 

A meu ver, é importante informar a sua situação de saúde à entidade patronal, o quanto antes, pois de outra forma, as faltas poderão a começar a ser muitas. 

De facto, esta é uma questão que me fazem muitas vezes por email. E quanto a isto eu pergunto quanto à flexibilidade laboral. 

Se está numa situação profissional que gosta e que possui uma grande flexibilidade laboral. Ótimo. Podendo até lhe ser positivo, de modo a ter alguma “normalidade” na sua vida

Mas caso a sua vida profissional não seja assim, é pertinente preparar o seu contexto profissional para esta situação, de modo a ser possível preparar a sua saida, por motivos de baixa médica. 

2. Conhecer o cancro

A meu ver é de extrema importância conhecermos o nosso cancro.

Entender o que o médico nos diz. Se não percebermos, perguntar. Não ficar com dúvidas. É a nossa vida, e temos que ser ativos neste processo.

Assim como é essencial estarmos atentos ao nosso estado de saúde (ouvir o que o nosso corpo quer-nos dizer).

Como Sun Tzu indica no livro A Arte da Guerra “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

3. Acreditar na recuperação

É essencial acreditar. Durante este percurso vamos ouvir muitas histórias, algumas não tão positivas. Então, há que ter um filtro e nestas situações desligarmo-nos deste ambiente.

Cada situação é uma situação e temos que estar focadas, e com esperança, no nosso caminho.

É claro que tal não é possível a toda a hora ou todos os dias. Mas a sensação maioritária ser de confiança e otimismo.

Na minha perspectiva, é importante receber informação prática de outros casos. Foi por isto que procurei outros blogs, quer portugueses, quer ingleses. 

Outras histórias de cancro da mama | Procura de informação prática

Ter a possibilidade de conhecer o que funcionou com outras mulheres, de modo a experimentar se também funciona comigo (exemplo: ginger ale ser magnifico para atenuar os enjoos durante a quimioterapia; o Cicalfate ser muito bom para a cicratização das feridas; entre outros).

Comparações podem não ser saudaveis 

Chega a ser cansativo de ouvirmos tantas vezes que um cancro é uma situação singular. Mas com o tempo apercebemo-nos disso mesmo. Pessoas até com cancros maiores que fazem menos sessões de quimioterapia, pois o subtipo de cancro pode não ser tão agressivo.

Mas uma coisa que incomodou-me foi, o facto de algumas pessoas (algumas até profissionais de saúde) desvalorizarem a minha situação em comparação com outras situações clinicas (não bates o nosso recorde, pois a nossa X tem 25 anos).

Eu não ficava satisfeita ou mais contente por conhecer estes casos. Nem ficava descansada por saber que raparigas mais novas que eu estavam a passar por isto. Antes pelo contrário!

Então penso que estes comentários são de todo desnecessários, principalmente ditos desta forma. Mas por um lado, acredito que por vezes mencionam-nos estes casos para entendermos os “azares” de muitas outras pessoas.

4. Fatores ambientais/ mudança de hábitos

Com mais tempo, tive a oportunidade de ver alguns documentários, uns mais relacionados com este tema do que outros. Mas num falou-se da ligação do uso de automóveis, principalmente a diesel, que libertam imensos químicos para a atmosfera, sendo estes potencialmente cancerígenos.

E porque é que falo neste assunto? Porque muitas vezes saem notícias a indicarem que a grande maioria dos cancros poderia ser evitada caso ocorresse mudança de hábitos e estilo de vida.

E, muitas vezes, apenas são referidas as mudanças individuais, como se vivêssemos protegidos numa redoma. E com isto, a ideia de culpar-nos é reforçada. O que ajuda a cavar um pouco mais o poço onde podemos já nos encontrar.

Os fatores ambientais que estão presentes no nosso dia-a-dia tem também um papel importante no surgimento deste “idiota”. Mas penso que aos poucos vão-se sentindo algumas mudanças (não foi assim há tanto tempo que tornou-se obrigatório os restaurantes terem um espaço livre de fumo).

Oportunidade para mudar

Ou seja, acho que sim, que temos que abordar as medidas individuais possíveis para reduzir o risco de ter cancro.

Contudo, a questão é mesmo reduzir e não eliminar a hipótese de ter cancro.

E ao abordarmos este assunto com diferentes pessoas, começamos a perceber de diferentes casos que não seriam assim tão expectáveis… raparigas com 24 e 22 anos, sem historial de cancro na família; pessoas com alimentação super variada e saudável associada a prática de exercício físico; não fumadoras; mães novas que amamentaram os filhos pelo período aconselhado.

Isto porque, após digerir a notícia inicial, um dos primeiros pensamentos é de entender o que fiz mal para ter cancro.

Considero ser positivo analisarmos a nossa vida para saber as mudanças que QUEREMOS, que nos trazem conforto e bem-estar. Este período pode mesmo ser uma oportunidade para aprender.

No meu caso, principalmente na área da alimentação e exercício físico. 

Mas realizar esta análise com algum cuidado, pois terá a tendência de ser apenas negativa (porque é que fiz isto; não devia ter feito aquilo; a culpa é minha; blá,blá). Estes pensamentos negativos apenas sugam-nos energia, não resolvendo de todo a nossa situação de saúde.

E, de facto, a verdade é que se nos foi diagnosticado um cancro agora, mais do que tudo, há que o enfrentar e para tal vamos necessitar de muita força e energia.

5. Apoio cancro da mama

Falar, falar e falar

Para mim um dos pontos de fuga essenciais nestes tempos foi falar… falar sobre isto… não falar de todo sobre isto…falar com pessoas mais velhas….falar com pessoas mais novas….com quem tem medo deste cenário….com quem já viveu uma história de cancro…

A meu ver é essencial constituirmos um grupo de apoio, o nosso grupo de apoio.

Artigo: Como ajudar alguém com cancro?

6. Gestão emocional

O cancro é uma benção?

Não, de todo que não. Nem sei bem se posso dizer que cresci ou não com este acontecimento. Mas sei que tentei aprender como lidar com ele, e como deveria lidar depois.

O cancro deixa-nos com várias marcas, e as físicas são as mais suportáveis.

O depois do cancro não deixa de ser também uma luta, e para mim o maior desafio foi não dar poder às palavras como “reincidiva, esvaziamento axilar, menopausa precoce, infertilidade”.

Além de que, existe também uma “pressão” para que depois dos tratamentos seja tudo espectacular e maravilhoso. E sentimo-nos mais fracas pois estamos sem energia e tristes…

É normal estar triste, será inevitavel ter dias com menos energia. Todas as pessoas passam por isso.

Como aguentar dias maus?

Ao passar por um dia mau, viver esse dia mau (desligar as luzes e colocar uma música calma para adormecer).

E não sentir que não devia estar daquela forma ou que deveria fazer isto ou aquilo.

E acalmar a nossa mente, em que hoje não estamos bem, mas que amanhã ou mesmo passadas umas horas vamos estar bem. E aí, fazemos tudo o que precisa de ser feito. 

E isto não é mais nem menos que a vida…

Self-care

Apercebi-me de muitas situações (quer através de leituras, quer de conversas com outras mulheres a passar pelo mesmo) o sentimento de culpa por cuidar-nos de nós próprias.

Esta é uma experiência que requer e necessita que cuidemos de nós e isto não significa ser egoísta.

O cancro é um processo muito demorado podendo ir até mais ou menos um ano. Diagnóstico, exames, informações serem reveladas nas consultas, passar pelas sessões de quimioterapia, esperar cirurgia, reabilitação, sessões de radioterapia…

Daí ser fundamental praticarmos atividades que gostamos, de modo a manter a mente ocupada, mas principalmente aliviar o stress e desfrutar da vida. Estamos cá, há que desfrutar.

Neste blog pretendo partilhar informações práticas que me ajudaram. Quer de alimentação, prática física (yoga e pilates); leituras realizadas.

Mas também mencionar situações que queria ter feito de modo diferente (após obtenção de atestado de incapacidade entregar imediatamente às Finanças).

E mais do que tudo, para compreenderem que vivenciar um cancro é mesmo uma pedra no nosso sapato.

Penso que temos que ter compaixão para connosco, sermos as nossas melhores amigas.

Como serão os tratamentos oncológicos?

* cirurgia oncológica

Na descoberta de um cancro da mama a etapa que a maior das mulheres têm que passar é a cirurgia. Sendo este um passo importante na luta contra o cancro.

Assim, existem diferentes tipos de cirurgia, que são escolhidos mediante o tumor e a paciente. Podendo conservar parte da mama (o meu caso, cirurgia conservadora da mama ou mastectomia parcial) ou então,  a remoção da mama (mastectomia total).

* quimioterapia 

Em caso de ser necessário quimioterapia, esta pode ser a primeira etapa, ou então ocorrer a seguir à cirurgia

Artigo: Porque é que vou fazer quimioterapia antes da cirurgia?

* radioterapia 

Caso seja necessário também radioterapia, esta geralmente é realizada após quimioterapia e cirurgia.

Em alguns casos, como realização de mastectomia total e sem invasão dos gânglios linfáticos (esvaziamento axilar) não se torna necessário a mulher atravessar pela radioterapia.

Porém, caso seja necessário radioterapia, a reconstrução mamária, em principio ocorrerá apenas após o término da radioterapia.

* hormonoterapia 

Um outro tratamento que lhe poderá também ser proposto é a hormonoterapia. Especialmente se o seu tumor for hormonalmente positivo

Podendo começar este tratamento após o fim da quimioterapia. No meu caso, durante a cirurgia e a radioterapia continuei com o tamoxifeno. 

conclusão | Descobri que tenho cancro e agora?

  • cada caso é um caso, mas há sentimentos partilhados por todas as pessoas que passam por um acontecimento de cancro na vida, nomeadamente muitas dúvidas, muitos anseios, muito nervosismo, muito medo, principalmente porque não se sabe o que se vai viver
  • por isso considero a partilha de informação, assim como das histórias de vida tão importantes para termos uma “mínima ideia” do que vai acontecer
  • bem como, conhecer dicas práticas que a ajudem em todo este caminho
  • mas mais do que tudo há que ter muita energia e força, pois este é um processo desgastante
  • assim, reúna o seu grupo de apoio, e procure ser o seu maior apoio
  • ninguém teve sorte por ter que atravessar uma história de cancro. mas como vivemos este acontecimento, a meu ver, terá um impacto quer na nossa recuperação, quer na nossa vida depois dos tratamentos.
Posted in cancro, cancro da mama, como posso ajudar pessoa com cancro, diagnóstico, gestão emocional, reflexões, viver depois do cancro

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.