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Encaminhada para o Centro Mama Hospital São João | Primeira consulta mama

Após conhecer o diagnóstico de cancro da mama, mas qualquer outra vivência de cancro, a nossa vida (e a dos nossos!) vai mudar completamente. Até porque muito do nosso tempo vai ser passado no hospital ou num IPO. 

No meu caso, fui encaminhada para o Centro de Mama Hospital São João Porto.

Onde fica o Centro Mama do Hospital São João?

Como se costuma dizer todos os caminhos vão dar a Roma, então há vários caminhos para se chegar a este centro.

Todavia, o mais conhecido é através da entrada no Hospital de Dia do Hospital de São João, e de seguida virar imediatamente à sua esquerda

Hospital São João Porto Centro de Mama
Centro Mama | Hospital São João

E onde fica o Hospital de dia?

O melhor acesso é a entrada mais próxima do Hotel Ibis/Campus São João.

Nesta entrada temos que subir uma rampa e virar imediatamente à direita, sendo aí o hospital de dia.

Fonte: Google Maps

Primeira consulta mama

Assim, apenas tive que dirigir-me à receção deste serviço, onde me foi dada uma senha com um código.

E apenas tive que aguardar que esse código aparecesse no ecrã.

Neste ecrã além de aparecer o nosso código, aparece também o número da sala

Primeira consulta | Digerir informação 

Conhecer a nossa situação clínica

O médico começa por tentar perceber quais foram os sinais que me alertaram (se a mama ou o mamilo sofreram alguma alteração nos últimos tempos; se tinha dor…).

Mas também examinou o peito (e não é que rapidamente descobre onde o “idiota” está alojado?).

De seguida, preparou-me para o facto de a situação necessitar dos principais tratamentos oncológicos (quimioterapia; cirurgia e radioterapia).

Mas que o meu caso ainda seria discutido nesse dia (esta reunião ocorre uma vez por semana) entre uma equipa multidisciplinar, de modo a definir o primeiro passo (quimioterapia ou cirurgia).

Ou seja, a resposta é personalizada à nossa situação.

# Porque fazer quimioterapia antes da cirurgia?

Fertilidade e Cancro da Mama

Ainda não tinha assimilado completamente a notícia inicial do cancro, na esperança que me indicassem que ocorreu um erro administrativo qualquer e que está tudo bem, quando fui confortada com a possibilidade de infertilidade após estes tratamentos oncológicos.

Felizmente, nos dias de hoje, esta situação é tida em atenção e por tal, fui de imediato encaminhada para a Medicina de Reprodução  hospital s. João, nesse mesmo dia, para ser informada dos procedimento necessário à criopreservação de ovócitos.

Inicio bateria exames cancro mama

Até a esta consulta só tinha feito biópsia mamária.

Assim, o médico teve também o cuidado de avisar-me da necessidade de ter que realizar outros exames, nomeadamente uma outra ecografia mamária, mamografia, mas também ressonância magnética.

Exames estes que realizei nos dias seguintes. Ou seja, a partir desta altura, passei muitas horas em contexto hospitalar.

Marcadores tumorais análises

Nos dias seguintes faria também análises de modo a saberem o nível de marcadores tumorais presentes no meu corpo.

Estas análises podem ser feitas através de urina ou recolha de sangue, que foi o meu caso.

Tipos de cancro da mama

Nesta consulta, foi-me também pedido que solicitasse, junto do Laboratório Clínico, a amostra de células que foram estudadas (a biópsia não foi realizada no sistema público).

De forma a seguir para o estudo do tipo de cancro da mama. De outro modo, seria necessário realizar novamente biópsia mamária.

Todas as mulheres com cancro da mama fazem este teste para conhecer o tipo de cancro e assim o seu tratamento ser delineado personalizadamente.

Quantos tipos de cancro de mama existem?

Tumores Hormonais

São tumores malignos que são positivos aos recetores hormonais (estrogénio ER+ ou progesterona PR+), o que significa que o cancro precisa destas hormonas para o seu desenvolvimento. Por este motivo é utilizada a hormonoterapia, de modo a reduzir ou bloquear o nivel de estrogénio (mesmo nas situações de cancro da mama em que é positivo apenas a progesterona, ou seja, ER- mas PR+). Geralmente, este subtipo de cancro está mais associado a mulheres após menopausa.

Se ambos os recetores são negativos, geralmente, não é utilizada a terapia hormonal. (Só conheço um caso e que tal prende-se com a situação ovárica). Este subtipo tende a ter um crescimento mais rápido comparativamente aos subtipos de cancro de recetores positivos.

Cancro de mama HER2 positivo

Este é um subtipo de tumor associado ao gene HER2 que produz a proteína com a mesma designação. Esta proteína participa no crescimento das células mámarias. Caso estas proteínas estejam presentes, em abundância, na membrana das células cancerígenas, o cancro é designado por HER2+.

Para este subtipo existe terapia direcionada, no sentido de bloquear a produção desta proteína.

Um cancro HER2 positivo pode também ser positivo aos recetores hormonais.

Cancro de mama Triplo negativo

Triplo negativo significa que o cancro não responde quer às hormonas estrogénio e progesterona nem à proteína HER-2.

Por tal, para estes tipos de cancro ainda não é possivel aplicar uma terapia-alvo. Sendo considerado o mais agressivo e também o que cresce mais rapidamente.

Para este subtipo de cancro os tratamentos mais utilizados são cirurgia, quimioterapia e radioterapia (não tem que ser por esta ordem). Sendo a quimioterapia o tratamento mais efetivo neste subtipo, uma vez que a quimioterapia afeta as células que se multiplicam rapidamente. Por vezes, a quimioterapia acontece antes da cirurgia para impedir o seu crescimento, podendo ocorrer uma redução do tumor muito significativa com a administração da quimioterapia. Todavia, será sempre necessário a cirurgia.

E qual é a classificação do meu caso?

Inicialmente considerou-se ser cancro da mama triplo negativo. Contudo, um outro estudo revelou uma positividade (fraca) da hormona progesterona. Por este motivo, após quimioterapia, e antes da cirurgia, iniciei a toma do Tamoxifeno.

Mas a classificação do tumor não fica por aqui….

Existindo ainda histopatologia, o grau, o estádio, ou ainda outros sistemas. Alguma desta informação já se encontra no resultado da biópsia mamária.

Histopatologia

Está relacionado com o local onde o tumor se encontra na mama. Podendo ainda ser designado por in situ ou invasivo. Este último significa que o cancro já invadiu o tecido envolvente. 

Estádio Cancro da mama 

“Com base nos exames efectuados, o estadiamento do cancro da mama pode ser classificado da seguinte forma:

Estadio 0 – o cancro é não invasivo, chamando-se in situ, por estar no seu sítio, ou seja, circunscrito a uma localização muito inicial;

Estadio I – o cancro tem uma dimensão inferior a 2 cm e há por vezes evidência microscópica de células tumorais nos gânglios da axila do mesmo lado;

Estadio II – o cancro da mama tem uma dimensão superior a 2 cm mas mantém-se apenas evidência microscópica de células tumorais nos gânglios da axila do mesmo lado;

Estadio III – o cancro da mama tem uma dimensão superior a 5 cm e há evidência de doença nos gânglios da axila do mesmo lado de maiores dimensões;

Estadio IV – as células do cancro da mama espalharam-se para outros órgãos, chamando-se a este fenómeno metástases.”

Fonte: Saúde CUF

Meu caso? Cancro da mama estádio 3

Estádio não é o mesmo que grau de cancro da mama

Grau do cancro da mama

“O cancro da mama é classificado consoante a semelhança que as células tumorais apresentam com as células normais. Esta semelhança chama-se grau. O anatomopatologista atribui um grau de 1 a 3.

O grau 1 é atribuído quando as células do tumor se parecem o mais possível com as células normais.

O grau 3 é atribuído quando as células do tumor são menos semelhantes às células normais.

O grau do tumor pode ajudar a determinar o quanto um cancro é agressivo. Em geral, um tumor de grau mais baixo tem menor probabilidade de disseminação.”

Fonte: Linhas de Orientação para doentes com cancro da mama – NCCN 

Quanto a este ponto, a minha situção foi cancro de mama grau 3.

Minha história de cancro da mama

As informações atrás mencionadas podem, ou não, ser divulgadas nas primeiras consultas de mama. Sinceramente, nem me lembro se o médico abordou estes assuntos ou não, pois a partir do momento em que ele falou de possibilidade dos tratamentos oncológicos comprometerem a fertilidade, penso que deixei de ouvir. 

Mas aos poucos fui ouvindo estas informações e eu queria “conhecer” o meu caso. Isto para ter uma ideia do caminho que teria que fazer e não receber constatemente notícias menos boas. Por exemplo, quando a médica de oncologia falou-me sobre as 8 sessões de quimioterapia, já estava à espera. Tendo sido umas das formas para lidar com estas questões. 

Centro mama | novas instalações 2020

Nos finais do mês de Outubro vi uma notícia a indicar que este serviço passaria, no ano seguinte, para um local com mais condições.

Fonte: RTP | Hospital de São João. Centro da Mama continua a funcionar em contentores

Fico feliz por tal. Todavia, posso indicar que apesar de as consultas deste centro decorrerem em contentores, nunca senti falta de condições.

De facto, este centro possui uma equipa multidisciplinar de enorme competência e com extrema sensibilidade para esta situação que ocorre em tantas vidas. 

conclusão | primeira consulta centro mama

  • nesta consulta dado serem reveladas informações com muito impacto na nossa vida é de todo importante irmos acompanhadas
  • assim como irmos com uma ideia que nesse mesmo dia ou nos dias seguinte poderemos ter que continuar a ir ao hospital para ir resolvendo outras questões, como a realização de exames; tratamento de outras situações clínicas ou ainda preservação da fertilidade
  • e é neste momento que entendemos que a nossa vida vai sofrer várias mudanças. 
Posted in diagnóstico, fertilidade, menopausa | sexualidade | (in)fertilidade

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