Menu Fechar

exercício físico e cancro

Então, a minha relação com exercício físico não foi sempre a melhor. 

E nos últimos anos passei por uma fase em que com a minha vida profissional “deixei de ter tempo” para qualquer atividade física. 

Mas são cada vez mais os estudos a indicarem os benefícios do exercício físico para a nossa saúde.

Tanto para a prevenção do cancro. Como também para o durante e o depois do cancro

Exercício físico e cancro

Atividade física durante tratamentos oncológicos

Durante os tratamentos oncológicos recebi algumas indicações para realizar atividades físicas.

Fadiga cronica

Todavia, o cansaço é mesmo muito. E não só na quimioterapia. 

Durante a radioterapia e alguns meses depois do fim dos tratamentos a fadiga foi algo muito sentido na minha vida.

Assim como é que poderia pensar sequer em exercício físico?

Porém, uma medida para combater o cansaço presente nos tratamentos oncológicos é mesmo a atividade física.

Assim, foram várias as vezes que tentava fazer uma caminhada por sítios que gostasse, com pessoas que gosto de conviver e que me sentisse bem em parar caso sentisse necessidade

E, de facto, passado um tempo, constatava que estava a caminhar algo melhor e até me sabia bem. Assim como notava que nesse dia dormia melhor e no dia seguinte estava algo melhor.

Mas se fosse caminhar novamente no dia seguinte já era capaz de ficar mal, pois a sensação de cansaço não é ilusória. Durante os tratamentos e mesmo depois o nosso corpo está a trabalhar imenso. 

Exercício físico | ouvir o nosso corpo

Ou seja, é mesmo muito difícil contrariar o corpo que não sentimos qualquer energia. Tal como, saber até onde podemos ir

Assim, quando me perguntam o que aconselho, só consigo mencionar que é estar atenta ao nosso corpo

Se estivermos a sentir uma tontura ou algo que não está bem, pararmos, bebermos água e aguardar pela recuperação.

Está-se em tratamentos, não se está a imaginar coisas…

Sim, durante o cancro estamos muito bem e, por vezes, até “sem razão aparente”, ficamos simplesmente sem forças. 

Como expliquei num outro post, a sensação de tonturas e desmaio foi mais sentida por mim durante a quimioterapia, mas também depois no período de recuperação de radioterapia

Tal como eu, as pessoas com que falo abordam o facto de gostarem de caminhar. Mas, muitas das vezes, o clima não está propício a esta atividade. E temos as defesas em baixo e não queremos nem devemos arriscar.

Mas ficar em casa não significa ficar apenas no sofá ou na cama. Existem imensas atividades que podemos fazer dentro de casa:

  • dançar (com ou sem vídeos para aprender no youtube);
  • arrumar e organizar as nossas coisas, a nossa vida;
  • aprender novas receitas e com isso passar algum tempo na cozinha;
  • ter aulas de ioga ou pilates (vários vídeos)

Isto é, vamos estar cansadas muito tempo. Mas é importante quando estarmos bem colocarmos o nosso corpo a mexer. E depois ir balanceando com algum descanso.

Fim da quimioterapia | energia

Alguns dias após o fim da quimioterapia senti mais energia.

Como falei num outro post, aproveitei esta energia para fazer várias coisas que até queria fazer antes da cirurgia oncológica

Mas das atividades que mais desfrutei foi dançar…Fez-me realmente muito bem.

E aproveitei nesta altura, para chatear uma amiga e tentar fazer várias atividades de ioga e pilates.

Ioga e pilates

São das atividades que mais recomendo. Tanto uma como a outra promovem momentos de meditação. E com estas atividades não estamos só a trabalhar o nosso corpo, como também a nossa mente.

Eu tive a sorte de ter sessões individuais e, assim, fazia os exercícios mais específicos e não me sentia mal pela minha condição física não ser a melhor. 

Além de que, a minha amiga, que é mesmo vocacionada nestas atividades, tinha toda a atenção com a resposta do meu corpo e apropriava cada momento.

pilates e cancro
Fonte: Pixabay

Porém, sessões em grupo podem também ser positivas até para ter contacto social. 

Depois da cirurgia | esvaziamento axilar

Já depois da cirurgia oncológica, ainda com o dreno, tentei movimentar-me em casa

Mas relembro que não podemos fazer esforços com o braço que ocorreu esvaziamento axilar. Mas podemos e devemos realizar exercícios de reabilitação, de acordo com as indicações da equipa médica ou de enfermagem.

Eu fiz cirurgia conservadora à mama e, de facto, as dores foram até “suportáveis”. Não imaginava é o tempo que as mesmas iam permanecer – cerca de 1 ano.

A questão que mais dificultava qualquer deslocação era mesmo o dreno. Por isso coloquei-o numa mala de cintura ou mesmo em saca quando saia. Porém, temos que ter cuidado com o tubo, necessitando este de estar num nível inferior

Já para quem faz a mastectomia os primeiros dias são mais desafiantes. Isto porque, pelas experiências de pessoas que conheço, torna-se necessário um repouso absoluto nos primeiros tempos de recuperação

Assim, em qualquer destas situações é extremamente importante questionarmos a nossa equipa médica ou de enfermagem sobre o que podemos fazer quando recebemos alta hospitalar

[Já tenho ideia de um artigo sobre a nossa vinda para casa, pois necessitamos de mais informações.]

Mas então se estamos com um dreno preso, o que se pode fazer por casa?

  • regar as plantas;
  • dar um passeio pela casa e ir mudando alguma decoração [coisas leves e com braço não operado]
  • ir tendo ideias do que queremos fazer quando não tivermos dores
  • ler um livro ou ver uma série [desde que façamos algumas pausas como ir beber água e, consecutivamente, ir ao quarto de banho…]
  • telefonar a alguém e passear pela casa, muito devagar…
  • quando já não tivermos pontos irmos dar uma volta…ir à biblioteca, ir a um shopping, ir a um jardim…

Exercício e radioterapia

Já durante a radioterapia assumo que só fazia exercício mais à noite ou aos fins de semana.

Ir todos os dias ao hospital foi algo desgastante. E, infelizmente, foram mais os dias que tive que esperar algum tempo pela sessão de radioterapia de 15 minutos, do que aqueles em que chegava e passado pouco tempo era chamada pelas técnicas de radiologia. 

Assim, e como esta questão estava a mexer algo comigo, tentei simplificar os meus dias o máximo possível.

Deste modo, durante o dia tentava organizar a minha vida (preparar as minhas refeições; tratar das minhas cadelas; ir a consultas ou exames; realizar tarefas domésticas…] o que já pressuponha algum movimento durante o dia.

Mas o meu primeiro exercício de cada dia neste período era mesmo o de hidratar a pele e fazer os exercícios de reabilitação do braço, enquanto aguardava que a pomada fosse devidamente absorvida. 

Podia fazer estes exercícios sentada na cama ou no sofá, caso estivesse muito cansada. Mas geralmente realizava-os de pé. E é assim tão diferente? Sim, supostamente o facto de estarmos de pé ou sentadas por grandes períodos faz bastante diferença.

E depois da radioterapia?

Este foi o período mais complicado para mim em todos os níveis. 

Mas olhando de um modo mais frio para a situação, acredito que o meu grande problema foi o de ter colocado demasiadas expetativas neste período (tentar esquecer o cancro do modo mais rápido o possível). E não ter tido a devida compaixão para comigo

Corpo 

A nível físico foi desafiante pois o meu corpo tinha sofrido agressão após agressão, que durou cerca de um ano.

Por tal, necessitei mais do que as 3 semanas recomendadas para continuar a hidratar a zona irradiada e a fazer os exercícios para que sentisse melhoras significativas. Isto apenas associado à radioterapia.

Mas tive que continuar, como temos que ter durante toda a vida os cuidados permanentes com o braço que sofreu esvaziamento axilar.

Mente

A nível psicológico foi complicado pois era o cair da ficha de que um momento para o outro tinha que voltar a uma vida normal [mas afinal o que é isso?]; que já não teria uma rotina hospital [não ia tantas vezes ao hospital, mas que em todos os meses teria que ir]; assim como fui pensando mais nas minhas dificuldades financeiras e como teria que lidar com as mesmas…

Isto associado ao facto de pouco depois da quimioterapia ir saindo da menopausa induzida. Mas depois ter sido novamente colocada em menopausa pouco antes da cirurgia e durante a radioterapia…E a radioterapia podendo ter mais efeitos psicológicos, assim como a toma do tamoxifeno, o que foi um período absurdo para mim. 

Assim, e como a maioria das mulheres em situação cancro da mama, os tratamentos não acabaram com o fim da radioterapia, pois continuam por anos a hormonoterapia. Não sendo este tratamento tão divulgado e, principalmente, referidos os seus efeitos e como lidar com os mesmos

Descanso corpo e mente

E abordo esta questão pois neste período o cansaço sentido por mim foi extremo, bastante diferente ao sentido durante os tratamentos oncológicos. 

Assim, se com os tratamentos de quimioterapia e radioterapia sentia que conseguia descansar e recuperar minimamente as energias.

Nesta altura, após estes tratamentos oncológicos, não consegui descansar, nem sentir esta recuperação breve de energia.

Foi um caminho difícil este, mas que acho que cada pessoa o faz à sua maneira. Mas o meu corpo e a minha mente necessitavam de descanso.

Isto é, colocar a pressão de voltar à rotina, só me estava a afastar desse objetivo. Além de que, é tão importante o fim como os meios até lá chegar…

Então a partir de quando e como fui sentindo melhoras?

Neste período e, novamente, comecei a sentir-me melhor quando tive compaixão para comigo e quando escutava o meu corpo

Isto é, se não estivesse bem para fazer exercício não fazia.

E tentava não ficar chateada comigo por naquele dia não ter a energia que queria ou precisava.

Tendo sido então um período que só tratava das questões básicas e prioritárias. E no restante tempo tentava fazer coisas que gostava. Tais como caminhar ou mesmo viajar

Outras vezes até começava por pensar em só fazer 5 minutos de ioga e sentindo-me bem estendia esse período. Ou então, começava a por música para ir cozinhando e quando dava por ela estava há vinte ou trinta minutos a dançar ativamente

Mais artigos sobre:

E depois, depois do cancro?

O tempo anterior demorou mais ou menos nove meses

[Que tenho que fazer um artigo dedicado a tal, pois acredito que a minha recuperação deveu-se a um conjunto de factores, dentro dos quais: toma de antidepressivos; apoio psicológico; e exercício físico]. 

Mas aqui abordarei o exercício físico. De facto, neste período inscrevi-me com o meu namorado num ginásio com piscina

Estava algo reticente com esta ideia dele, pois algumas das aulas poderei não fazer e em todas tenho que ter cuidado com o braço [e não queria entrar num sítio logo a pés juntos indicando a minha situação de saúde…], assim como nas máquinas não posso fazer as relacionadas com peso nos braços. E, para terminar, eu não sei nadar…

Mas então fomos lá experimentar e adorei o modo como saí de lá. Bastante mais calma, relaxada, o que levou a uma melhoria da qualidade de sono

Então que exercícios podemos fazer num ginásio? 

  • máquinas com exercícios de pernas – passadeira, bicicleta, elíptica (sem utilização braços), máquinas com pesos para pernas
  • piscina – aulas de natação, hidrobike, hidroginástica…

Assim, não tenho desculpa que não vou caminhar pois está a chover.

Além de que, como faço diferente tipos de exercícios, fui sentindo até melhor fisicamente durante o quotidiano

Podendo também ir a aulas que não sejam específicas para braços. Ou aulas gerais e nesses exercícios indicarei que tenho uma condição no braço que não me permite realizar alguns exercícios.

Por exemplo, tive ter muito mais atenção a exercícios de ioga e pilates depois do esvaziamento axilar. 

Esvaziamento axilar natação

E…aprender a nadar! Sim, algo tão básico que não sei, mas que sinto mesmo necessidade. 

Ao abordar este assunto com a minha oncologista questionei se poderia fazer natação, não existindo qualquer impedimento. Só se caso sentir alguma dor no braço, que devo entrar em contacto.

Mas que de um modo geral é um exercício até bastante positivo para esta condição. 

conclusão | atividade física e cancro

  • a vida é tão agitada e ocupada, que nos sentimos sem energia para a realização de atividades físicas, pelo menos foi essa a minha desculpa por não fazer muito exercício nos últimos anos antes do cancro
  • todavia, a prática física é extremamente importante para a nossa saúde, nomeadamente para a prevenção do cancro, mas também para lidar com os tratamentos oncológicos e no depois do cancro
  • uma das medidas contra o cansaço durante a quimioterapia (e que senti na pele que funciona) é mesmo a realização de alguma atividade física, como caminhadas
  • depois dos tratamentos foi-me difícil realizar uma atividade específica, contudo, sei que não parei por completo e que tudo vale a pena, o importante é por o nosso corpo a mexer, o nosso sangue a circular…
  • porém, tendo dado um descanso que considerei que de facto o corpo e a mente necessitavam, a prática desportiva foi um factores que me ajudou a recuperar do cancro

Posted in cancro da mama, exercício físico, viver depois do cancro

2 Comments

  1. Daniela

    Ainda a semana passada questionei-te sobre este assunto.
    Obrigada por fazeres arigos que vão de encontro às dúvidas qu vão surgindo.

    • maisumahistoria

      Olá Daniela,
      E já estou a fazer outros artigos que também falamos – ex: animais de estimação 🙂
      Beijinhos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.