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Métodos de contraceção e cancro da mama diu de cobre

Após algumas semanas da toma do tamoxifeno, decidi ir à minha médica ginecologista particular. No sentido de lhe dar a conhecer a minha situação (foi ela que me deu a notícia do cancro da mama). E com isso informar da toma deste medicamento.

Com o tamoxifeno é necessário alguma atenção quanto à espessura endometrial. Mas como desde 2013 faço ecografia transvaginal com esta médica, estes exames anteriores poderão servir como referência.

Além de que, pude fazer o exame papanicolau. Isto porque é de todo pertinente continuarmos atentas a outras situações de saúde, especialmente as relacionadas com o útero e ovários. 

Métodos de contraceção e cancro da mama

Mas o principal motivo foi para discutir a possibilidade da utilização do Diu como método contracecional.

Isto porque a utilização do preservativo aquando toma do tamoxifeno pode não ser a mais adequada, devido ao sintomas de menopausa

A médica considerou uma ótima ideia. Porém, deveria falar com a minha médica oncologista no sentido de saber se o Diu poderia ser o hormonal. Uma vez que este ajuda a reduzir a espessura do endometrio. (O crescimento do endometrio, que pode ser causado pela toma do tamoxifeno, não é uma situação que se pretende, daí a realizar de meio em meio ano uma ecografia).

O que é o DIU?

“Um dispositivo intrauterino (DIU) é um pequeno dispositivo contracetivo em forma de T que é colocado no útero de uma mulher para prevenir uma gravidez.

Os DIU são um método contracetivo reversível e de longa duração. 

Entre todos os métodos contracetivos, os DIU e os implantes contracetivos são os que apresentam maior satisfação entre os utilizadores.[2] 

As mulheres que prestam aconselhamento de planeamento familiar escolhem métodos de longa duração com maior frequência (41,7%) do que o público em geral (12,1%). 

Os DIU são seguros e eficazes também durante a adolescência e em mulheres que nunca tiveram filhos. 

Assim que um DIU é removido, mesmo após utilização prolongada, a fertilidade regressa rapidamente ao normal.” Fonte: Wikipédia

SIU hormonal (mirena)

Este método de contraceção contém, ainda que pequena, uma quantidade de hormonas. E tem como grande vantagem a redução do fluxo menstrual, beneficiando também as mulheres com endometriose, assim como as mulheres que entrarão brevemente na menopausa

Consulta de Oncologia 

Abordei com a minha médica oncologista a questão do Diu como método de contracepção. Tendo sido informada que teria que ser o não hormonal, ou seja, o DIU de cobre.

Mas neste sentido seria pertinente ter uma consulta de ginecologia no hospital de São João para esclarecer estas e outras dúvidas que poderia ter neste âmbito. 

cancro da mama DIU de cobre

O DIU hormonal não é indicado a mulheres com historial de cancro da mama, especialmente se estes forem hormonalmente positivos.

Sendo então o diu de cobre o mais adequado. Todavia, este não é aconselhado a pessoas com alergia a este metal. Apresentando outras desvantagens como pode aumentar o fluxo menstrual (com o tamoxifeno continuo sem menstruação).

Quanto tempo se espera pela consulta de ginecologia no Hospital de São João? 

Demorou cerca de 2 meses, desde o pedido da minha médica oncologista até ter esta consulta.

Tendo sido notificada por SMS, indicando a data e hora.  

Local do serviço de ginecologia no Hospital de São João 

Na sms recebida não constava o local da consulta. Andei às voltas pelo hospital pois indicaram-me um local (medicina de reprodução, que é num outro edifício). 

Porém, quer consulta de ginecologia, quer exames associados (exemplo ecografia controlo espessura endometrial) realiza-se no pavilhão de consultas externas, concretamente no pavilhão k6

Atualização março 2019: desde fevereiro que estas consultas estão a funcionar no pavilhão provisório k13 (que se encontra por trás da Faculdade de Medicina da UP)

Obter senha da consulta Hospital São João

Ao chegar a este local mencionei na receção do serviço de ginecologia que teria consulta. Mas fui informada que a senha neste serviço é obtida apenas na receção central. Esta receção localiza-se no início deste edíficio, podendo optar por tirar a senha nos tickets automáticos (ver aqui). 

Ou seja, se estiver presente para a realização de exame devo notificar a minha presença na receção do serviço de ginecologia. Em que depois chamam-nos pelo nome. 

Se for para consulta devo obter a senha na receção central e aguardar na respectiva sala de espera até aparecer o meu código no ecrã. Aparecendo também a sala de consulta. 

Consulta de ginecologia 

Até que fui chamada, a médica tentou perceber a minha situação médica e o motivo da consulta. Que seria a opinião médica quanto à colocação de um dispositivo intra uterino

A médica questionou-me o porquê deste pedido, tendo explicado que o Diu não resolveria a situação de secura vaginal (sintoma da menopausa, efeito do tamoxifeno). Mas então expliquei-lhe que compreendia tal, mas de facto, a utilização de preservativo não contribuía positivamente para esta situação. Tendo a médica concordado. 

Contracepção DIU

Após esta conversa a médica pediu à enfermeira para reunir os instrumentos que seriam necessários. Só aqui apercebi-me que nesta consulta seria implantado o Diu, que não estava à espera. Mas assim, a médica conheceu o meu caso e ficou tudo resolvido. 

Esta menina não quer ter filhos…

Estava a deitar-me na marquesa quando a médica teceu o seguinte comentário para a enfermeira “Esta menina não quer ter filhos….”. Uma mulher a atravessar uma situação de cancro é uma pessoa que pode ter feridas. Uma das minhas maiores feridas é o facto do tratamento oncológico poder afectar a fertilidade

Porém, se foi-me diagnosticado um cancro; se passei pelo período de tratamentos; não é de todo proveitoso ficar estagnada na ideia de julgar que 2018 seria o ano que abraçaria o desafio da maternidade.

Assim, se o desafio foi outro, as minhas preocupações, os meus pensamentos, e comportamentos devem ser outros também.  

Neste sentido, uma rapariga de 30 anos que tem o conhecimento que num futuro próximo não poderá ser mãe, não pode ser culpabilizada por querer arranjar alternativas para trazer alguma normalidade à sua vida.

Assim, a meu ver, este comentário e outros comentários tecidos pela médica foram completamente desnecessários

Colocação diu

Bem, vou ser direta… Não foi nada fácil ou confortável

Lá fui para a marquesa, na posição mais adequada para a médica colocar o Diu, e qqlogo no início senti um grande desconforto. Fui sentindo dores (algumas parecidas com as papanicolaus realizadas por médicos com uma sensibilidade não tão apurada), num total silêncio por parte da médica. 

Até que esta profissional de saúde informou-me que sentiria uma picada. E a minha ideia foi: “se ela não me avisou de nada, e é isto; o que vem a seguir vai ser muito complicado”. E não!  Ou seja, ok senti uma picada, mas algo ligeiro comparando com o desconforto que já sentia. Uma dor ligeira, mas que penso que não se prolongou por mais que um minuto. E…. Acabou!!! Ja está!!! 

Mas devo ser sincera e, sim, colocar o diu doi

Sensibilidade médica

Sei que estou mal habituada, pois tenho tido uma sorte incrível com a minha equipa médica.

Mas, para mim, ajudaria que a médica de ginecologia fosse indicando o que iria ser feito e quanto tempo demoraria. Quando estava a tentar aguentar as dores estava no desconhecimento e não sabia se teria aquela dor mais um, dois, cinco ou dez minutos. Mas pronto, passou. 

Quanto a este ponto lembrei-me imediatamente do conselho de uma grande amiga minha de que, em todas as situações ginecológicas (Diu, gravidez, etc) devemos estar acompanhadas. Ela quando teve grávida também não passou situações agradáveis por comentários menos felizes por parte da equipa médica. 

Cuidados a ter indicados pela médica após a implantação do DIU

Poderia ter alguma hemorragia vaginal, mas não utilizar tampão nesta questão. 

Bem como, após colocar diu não se pode ter relações sexuais, na primeira semana seguinte. 

Foi também marcada uma consulta de acompanhamento 2 meses após a colocação

DIU CopperT 380A

Por fim, foi-me dado um panfleto sobre o Diu introduzido (Copper T 380A). 

Abaixo transcrevo a informação que julgo ser pertinente:

“O Diu não protege contra doenças sexualmente transmitodas/SIDA. 

O DIU T380A recomenda-se a mulheres que:

  • Estejam em idade fértil;
  • Se encontrem numa relação monogâmica
  • Sem historial de doença pélvica inflamatória (PID) 
  • Não queiram tomar contracetivos hormonais [aqui seria mais adequado colocar não queiram/não possam]

O DIU T380A não deve ser usado por mulheres que:

  • Estejam grávidas ou suspeitem disso
  • Ainda tenham um Diu inserido
  • Tenham ou suspeitem de um tumor maligno no trato genital, incluindo sangramento vaginal não diagnosticado ou um Papanicolau Anormal, ainda não resolvido, ou uma grave anormalidade uterina. 
  • Tenham tido uma endometriose pós-parto ou infeção pós-aborto nos últimos três meses
  • Tenham a doença de Wilson ou uma conhecida alergia ao cobre
  • Tenham actinomicose genital. 

O DIU T380A não deve ser o método de primeira escolha para um mulher com:

  • Períodos menstruais dolorosos ou longos – anemia severa
  • Estenose cervical ou estreitamento do canal cervical
  • Não tenha acesso a um centro de saúde para acompanhamento médico
  • Historial de gravidez ectópica 

Contraindicações do DIU:

  • Gravidez
  • Doença pélvica inflamatória aguda ou historial de doença pélvica inflamatoria
  • Doenças sexualmente transmissíveis (DST), incluindo uma infeção inferior do trato genital, como a gonorreia e a clamidia
  • Com risco elevado de DST porque ela ou o parceiro possuem vários parceiros sexuais
  • Conhecimento ou suspeita de tumor maligno no trato genital, incluindo sangramento vaginal não diagnosticado
  • Anormalidade uterina congénita 
  • Cervicite ou vaginite aguda não tratada incluindo vaginose bacteriana, até à infeção estar controlada
  • Condições associadas à elevada suscetibilidade às injeções por microorganismos. Tais condições incluem, mas não se limitam a, leucemia, síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA) e uso de drogas intravenosas
  • Cavidade uterina pequena

Reações adversas do DIU:

Foram reportadas as seguintes reações adversas e efeitos colaterais com DIU e podem ocorrer depois da inserção do Cooper T. 

  • Gravidez com o Cooper T no útero ou quando ele foi parcial ou totalmente expelido 
  • Expulsão total ou parcial
  • Sangramento ou manchas entre os periodos
  • Períodos em falta ou atrasados
  • Períodos fortes ou prolongados
  • Períodos dolorosos
  • Anemia
  • Dores ou cãibras durante ou após inserção 
  • Secreções vaginais e infeção
  • Dor nas costas
  • Dor nas pernas
  • Reação alérgica da pele devido ao cobre no Cooper T.”

Fonte: panfleto DIU Copper T380A

Minha experiência com o DIU

Dias seguintes à colocação do DIU

No dia da colocação senti algum desconforto na zona da barriga, que foi sendo atenuada, até que nos dias seguintes raramente sentia algo. 

Porém, a hemorragia vaginal manteve-se ainda por 3/4 dias a seguir à colocação do DIU. Mas algo que se conseguia contornar através da utilização de um penso diário. 

E depois?

Não sinto nada. Felizmente, mesmo durante a minha vida sexual. Estando bastante satisfeita com a esta minha decisão

Todavia, só me “arrependo” desta decisão ter sido tardia. Poderia ter questionado esta opção junto da minha médica oncologista desde o inicio da quimioterapia.

Assim como, teria optado por esta implantação com a minha ginecologista. No momento que tiver que substituir ou retirar o DIU é assim que farei. 

Consulta de acompanhamento DIU passado 1 mês

Como no panfleto está indicado a pertinência de uma consulta de acompanhamento passado 1 mês da implantação do DIU. E no hospital público apenas tenho marcação após 2 meses, decidi marcar uma consulta com a minha ginecologista para o mês seguinte à colocação do DIU de cobre.

Já a consulta do diu acompanhamento no hospital público ocorreu mais tarde (ver aqui). 

Posted in cancro da mama, menopausa | sexualidade | (in)fertilidade, viver depois do cancro

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