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Pausa no blog | Apenas um até ja

Obrigada a todos os emails e comentários recebidos. Sabe realmente bem entender que alguém está a passar um nadinha melhor porque aquela dica funcionou também com ela.

Pesquisar sobre cancro

Conheço mais pessoas que não quiseram saber nada sobre o cancro. Do que as que quiseram saber.

Mas entendo as primeiras. Porque a palavra cancro está associada a muita coisa negativa. E a internet espelha isso.

E de um momento para o outro uma nuvem muito cinzenta paira na nossa cabeça e ficamos com a ideia que estamos a passar pelo pior tipo de cancro.

Importância da informação prática

Porém, acredito que a partilha de informação durante o cancro pode ser essencial.

Eu quis saber também porque sei como o não querer ter informação condicionou a vivência de cancro da mama da minha mãe. 

E eu queria, precisava mesmo de fazer de modo diferente. Poderia ou não resultar, mas tinha que tentar.

Cancro e medo

E no meu caso, o medo esteve muito presente. Assim, quando recebia uma carta de consulta ou exames, pesquisava para saber se era algo que fazia parte do protocolo. 

Assim, o objetivo deste blog é partilhar informação para que exista uma resposta às tantas questões que temos durante a luta contra o cancro

Durante os tratamentos e principalmente durante a quimioterapia, dado o nosso estado ser tão tênue, surgem mil dúvidas na nossa cabeça antes de tomarmos uma decisão.

E eu estive aí. Sei as mil e uma dúvidas que tive. 

  • Será que isto faz mal ou interfere com a quimioterapia?
  • O tumor para de crescer ou pode mesmo diminuir com a quimio?
  • O que é melhor eu comer?
  • Estou sempre constipada, é normal?
  • E a deitar sangue pelo nariz?
  • E porque é que acordo de noite?
  • Não devo sair de casa? 

Tenho recebido tantas questões. E sei que todas elas são pertinentes. E que são dúvidas de outras pessoas também. 

E sei que ao responder a estas questões. Sempre com o devido cuidado pois cada cancro é um cancro. Ajudo essa pessoa a estar um pouco mais calma. A não gastar tanta energia, sendo esta essencial no processo de cura. E quero continuar. 

Aceitar a situação 

Por exemplo, quando descobri que a maior parte das mulheres que está a passar por menopausa sofre de insónias, consegui aceitar a situação.

Deixei o papel passivo, para passar a assumir a situação e a lidar com a mesma.

No meu caso era acordar e ir ver uma serie, ou ler um livro ou mesmo trabalhar no blog por noite fora, ate ter sono.

Mas aceitava, e nalguns desses momentos encontrei mesmo felicidade.

Quando começaste a pensar no blog? 

Este blog não surgiu após ter recebido o diagnostico de cancro da mama. 

Antes pelo contrário, já estava eu na fase final de quimioterapia. E como mantive praticamente a minha vida social e estava bem, foram muitas as pessoas que me aconselharam a divulgar o que eu tinha feito (alimentação, yoga, pilates, livros).

Mas tive sempre o cuidado de não ser algo como “faça isto” ou “faça aquilo” pois cada pessoa tem que ouvir o seu corpo. E este responde de modo bastante diferente. 

Mas algo como “eu fiz isto e tive estes resultados, já experimentou?“. 

Blog é um trabalho

Mas o blog é de facto um trabalho. Tenho que relembrar das situações vivenciadas. Escrever adequadamente (eu só tinha os pontos essenciais no meu caderno). Investigar o porque daquilo e não de outro modo. 

(Além de que eu não tinha competências para construir um site. E hoje em dia o Sr. Google com a gigantesca onda de informação é muito mais exigente para que o nosso site apareça no motor de busca. Sendo necessário cursos e cursos para a mínima coisa).

atualização dos artigos

E aos poucos ir atualizando os artigos de acordo com as dúvidas recebidas.

Por exemplo, eu não tive dores ao tomar o nivestim nos dias a seguir à quimioterapia. A minha mãe nem sequer tomou.

Mas são muitas as pessoas que estão a ter dores com o nivestim. E estou a tentar entender o que outras pessoas, na mesma situação, fizeram (recebi dicas de chá de gengibre). 

E por todo este trabalho, ainda bem que não comecei este projeto durante a quimioterapia. Fiz muitas pesquisas durante este tempo. Mas obtinha a informação e ficava por ali. 

Existiram dias durante a quimioterapia que o cansaço foi algum. Outros que parecia que nada se passava. Mas deste modo não foi muito possível ter uma agenda.

A minha vida seguia do modo que o meu corpo me indicava

Extremo cansaço

Mas agora, estou a sentir que esse extremo cansaço está a regressar.

De facto já ando a lidar com ele há uns meses. Mas ainda nao consegui resolver esta questão.

Tal pode dever-se a vários aspectos, dentro dos quais:

  • Ser um dos efeitos de longo prazo da quimioterapia
  • O meu corpo não ter aceite muito bem o tamoxifeno, tendo interrompido o tratamento terapia hormonal
  • Ter tempo para pensar e ver como o cancro afetou tantas áreas da vida (a mim a parte financeira está-me a colocar doida)

Já abordei com imensas pessoas, algumas profissionais de saúde, testemunhos de cancro, e todas indicam a mesma coisa, devo desacelerar a minha vida

Preciso de uma pausa. Motivo pelo qual faço este artigo. Isto porque, já tive do outro lado, e quando paravam de escrever no blog, sem nenhuma indicação, ficava um pouco triste. Por vezes só queria saber se tinha acontecido algo com aquela pessoa. E eu não quero que fiquem também com essa ideia.

Pausa regeneradora 

Assim, vejo esta pausa como uma necessidade. Algo também para carregar as energias. Que eu e o meu namorado tanto merecemos. Já que agosto é mês de férias.

Afinal de contas já andamos a lidar com a treta do cancro há 1 ano e meio.

blog cancro da mama mais uma história

Self-care

Assim como, não posso estar para aqui a mencionar que devemos ter tempo para nós. E descansar quando necessitamos. E depois fazer o contrário

Objetivos futuros deste blog

Mas para entenderem que isto não é um adeus, mas um até já, vou revelar algumas das minhas ideias para este projeto pessoal. 

  • Pensar em alguns artigos que me pediram (tal como, o que fazer para passar o tempo durante a quimioterapia ou porque é que o ioga foi tão importante para mim)
  • Publicar artigos que considero pertinentes (um exemplo, todos os exames que fazemos e o que é preciso saber para cada um)
  • Parceria com marcas e com isso descontos para coisas essenciais durante estas etapas
  • Parceria com profissionais e entidades (exemplo, tem que procurar a melhor ajuda para lidar com o esvaziamento axilar. Os cuidados e os exercícios fazem mesmo toda a diferença)
  • Conseguir testemunhos de sobreviventes de cancro (outras histórias, outras inspirações, que desafios encontraram e como lidaram)
  • Obter outras dicas práticas

Isto porque os assuntos que ainda não consegui abordar no blog ainda são alguns…yoga, pilates, dúvidas mais frequentes sobre quimioterapia, abordar menopausa induzida, os relacionamentos que se perdem, mas que se ganham com o cancro, o preconceito no mundo profissional, as imensas dificuldades financeiras, o lidar com a possibilidade de infertilidade…

Porque o cancro é isso mesmo um furacão na nossa vida.

Em que deixamos de ter chão…. Algo que nos demonstra a fragilidade da vida. E um furacão que mexe em todas as partes da nossa vida…

Mas, se há formas de o tornar um bocadinho menos penoso, ou mais fácil de lidar, esse conhecimento deve ser partilhado.

Mas isso já não é feito?!

Dúvidas durante a luta contra o cancro

Quando recebemos o diagnóstico de cancro da mama algo que nos dá muita esperança é que já muita gente passou por isto e conseguiu. 

Logo há um procedimento e vamos ser encaminhadas. E tal acontece. 

Mas muitas as vezes somos confrontadas com um vazio. Temos um sintoma, uma dúvida e queremos a resposta e não conseguimos. E esse sentimento é avassalador.

Eu julgava e algumas pessoas com que tenho falado indicam o mesmo, de inicialmente temos ideia que antes de qualquer procedimento vamos ter imensa informação. E temos muita, mas não a suficiente.

E há coisas que tem consequências enormescas, como a falta de exercício no esvaziamento axilar. Felizmente, hoje, vários meses após a cirurgia, posso mencionar que não tenho dores todos os dias. Que se tiver dores sei como lidar e o que devo fazer. E este controlo na nossa vida, a meu ver, é muito importante.  

Cancro da mãe

Já me questionaram muitas vezes se eu perguntava à minha mãe, dado ela ter tido o cancro há quatro anos atrás. E a resposta é não.

Acho que se a minha mãe não tivesse passado por isto eu teria desabafado mais com ela.

E não desabafei porque ao contar o que estava a viver, ela iria repetir novamente a experiência dela. E não queria de todo isso. 

Dicas para pesquisar

Então, pesquisei muito. Mas nas pesquisas temos que ter muito cuidado com o que lemos (sendo mesmo muito difícil). Tentar não colocar emoções nas coisas que lia. 

Assim, só procurava informação útil, que me ajudasse.

Por exemplo, estava em quimioterapia e saiu aquela quantidade de notícias sobre que muitas mulheres com cancro da mama não necessitavam de fazer esse tratamento. Naquele momento não li essas notícias. Mais tarde, quando a situação era me mais neutra, fui ler. Mas enquanto estava na situação resguardei-me.

Bem como, se pesquisarmos sobre cancro, parece que o google só nos vai lembrar isso no futuro. Assim, faça sempre estas pesquisas em modo anónimo

Informação depois do cancro

Mas para depois do cancro é que a informação torna-se mesmo escassa.

Continuamos a ser acompanhadas, mas isso é quê, uma vez por ano. Ou quase todos os meses vou ter que ir ao hospital?

E temos energia? E as análises ficam logo formidáveis? 

Isto porque, já fizemos os tratamentos. Mas ainda não nos sentimos que isto passou.

Pelo menos, eu tenho algum medo. O corpo ainda não recuperou completamente. A nossa mentalidade pode ser diferente.

Perguntas depois do cancro 

Até a questão do trabalho, durante os tratamentos não nos fazem muitas perguntas neste âmbito porque andamos em tratamento, “temos desculpa”.

Mas depois mal terminamos os tratamentos e mesmo durante a radioterapia a frase que vamos ouvir mais é “e já trabalha?”. Raramente há o “e como estás agora? Ainda tens efeitos?”

E não devemos levar a mal. Até porque aos poucos a nossa aparência física vai melhorando, dando uma ideia de vida saudável.

E muitas pessoas tem receio de falar sobre o cancro (já toda a gente lhe deve falar sobre o cancro, mas eu não vou. Vou falar da normalidade da vida, então já trabalhas?).

E depois na comunicação social fala-se dos casos em que o cancro mudou a vida das pessoas. E que agora sabem o que é viver. E que só fazem o que elas querem…

Mas não se fala quando essas pessoas não tiveram bem. Ou o caminho que tiveram que fazer. 

E depois todos queremos vestir uma capa de super heróis (não, o cancro não sabe com quem se meteu. Eu vou lidar com isto e vai ser uma oportunidade….eu não vou falar sobre o mal que isto tem….)

E eu acho bem aprendermos com o cancro. De facto este acontecimento pode nos ensinar tanto na nossa vida. 

desafios do cancro 

Mas é também importante falar nos assuntos menos bons. Naqueles assuntos que depois do cancro temos que continuar a lidar e não se aborda… Menopausa e com isso vida sexual! Dificuldades financeiras! Como as outras pessoas vivem o nosso cancro (marido, filhos, pais)!

Assim como as questões financeiras. Cada vez mais o cancro está a acontecer em mulheres jovens. Pessoas que ainda estavam a construir a sua vida.

que segurança social?

A meu ver, uma pessoa a atravessar o cancro não sobrevive com duzentos euros (Prestação Social para a Inclusão). 

Sei que, felizmente, a maioria das situações não são assim. Felizmente, tem direito a subsídio de doença.

Mas porque é que duas pessoas a atravessar cancro atravessam situações tão diferentes quanto ao subsidio de doença?

  • uma delas pode ter este subsídio durante 3 anos (contrato de trabalho)
  • e outra só pode usufruir por 1 ano (trabalhador independente), quando o próprio tempo para tratamentos pode ser de um ano?

Ambas não pagam segurança social? Muitas das situações como trabalhador independente pretendia mesmo a segurança de um contrato profissional. Mas teve que aceitar aquela situação ou desemprego. E, depois, numa situação dificil como esta, sai prejudicada

Estas questões não são tão abordadas. Mas devem ser, pois mexem com a pessoa que viveu o cancro. Mexe com a família.

Vida profissional

E tenho também que aproveitar estes dias para descansar completamente, pois os tempos que se seguem parecem-me algo desafiadores.

Além de que a procura de um emprego torna-se praticamente num emprego. E eu tenho que pensar como posso conciliar este projeto com esses desafios futuros

conclusão | pausa no blog

  • este é um blog que a nível pessoal está-me a ser muito gratificante 
  • de facto penso estar a conseguir o objetivo inicial que era partilhar informação, que eu considerei tão relevante mas pouco ou nada divulgada
  • e porque vivi a situação na pele, reconheço os vários desafios pelos quais passamos em que, por vezes, um panfleto do hospital, não é de todo suficiente
  • porém, necessito de fazer uma pausa, e entender como posso continuar com este projeto conciliando o meu retorno à vida profissional, que poderá ser um desafio
  • desejem-me sorte e caso tenham alguma dúvida podem colocar nos comentários ou email, de modo a pensar nos assuntos que as pessoas mais necessitam. Até já 😀
Posted in reflexões, self-care

7 Comments

    • Luisa

      Gostei mesmo deste artigo.
      Falaste em assuntos que realmente fazem confusão. Mas que parece que ninguém fala e da me ideia que só eu é que estou a passar por isto.
      Boas férias (que me parecem que são mais que merecidas)
      Beijinhos

  1. Luisa

    Ah, e já agora. Muito obrigada por todo o teu tempo ao responder às minhas “mil e uma perguntas”. És mesmo querida

    • maisumahistoria

      Olá Luísa,
      Sabes que fico mesmo contente por saber que em determinadas alturas consegui-te ajudar.
      Muito beijinhos

  2. Filipa

    Olá,
    Há já uns tempos também tive um blog e sei o trabalho que cada post dá.
    Mas sinceramente espero mesmo que isto seja um até já pois estava a gostar bastante de artigos de alguém que passou por cancro.
    A minha mãe foi diagnosticada recentemente e é até é um modo de eu tentar “entender” o que ela está a passar.
    Se não te importares, vou divulgar a outros familiares, pois desejo que este projeto seja um sucesso.
    Mas obrigada por todo o trabalho feito até agora.
    Beijinhos

    • maisumahistoria

      Olá Filipa,
      Obrigada pelo comentário.
      Não, será mesmo um até já 😉 e um dos artigos que estou a pensar fazer brevemente é como o cancro afeta as pessoas próximas de quem está a passar pelo cancro.
      Agradeço a partilha.
      Força para si e para a sua mãe.
      Beijinhos

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