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sexualidade e cancro da mama | como amenizar sintomas menopausa

Ao atravessar cancro da mama comecei por deixar de tomar a pílula. Tendo iniciado o processo de preservação da fertilidade.

Menopausa aos 30 anos | menopausa precoce

O passo seguinte foi a toma da injeção zoladex, que visava proteger os ovários durante a quimioterapia, que provocaria uma menopausa química.

Nem fazia ideia do que me esperava,  nem como estas questões influenciariam a minha sexualidade . 

Contraceção durante a quimioterapia 

Se não estava a tomar a pílula, e apesar de com o Zoladex não ter período menstrual, continua a ser necessário a utilização de métodos contracetivos.

Como inicialmente estava referenciada como cancro da mama triplo negativo, julgava que mais tarde poderia retomar à pílula. Isto é, pensava que a utilização de preservativo seria uma medida temporária. 

Menopausa sintomas | Sexualidade

Alguns sintomas menopausa estão estritamente relacionados com a sexualidade.

Nomeadamente a redução da líbido (desejo sexual), associado à secura vaginal. Mas também às alterações de humor. E estes sintomas devem-se à redução da hormona estrogénio no nosso corpo. 

Estrogénio e cancro da mama

A redução de estrogénio pode acontecer durante a quimioterapia (zoladex), quer depois pela hormonoterapia (tamoxifeno). 

Sendo um cancro hormonalmente positivo (classificação do cancro da mama), a presença de estrogénio pode alimentar as células cancerígenas.

Assim, esta toma, especialmente do tamoxifeno, visa reduzir a quantidade desta hormona no nosso corpo, durante o período de remissão

como amenizar sintomas menopausa

Se não há nada a fazer quanto a sentir ou não os efeitos da menopausa, o melhor será mesmo saber como lidar com a menopausa. E, consecutivamente, a sua influência na nossa sexualidade.  

Falta de Libido sexual 

Felizmente acredito que a vida sexual é mais que hormonas, sendo tantas outras coisas como cerebral, bioquímico… Agora, esta é uma questão que envolve também o(a) parceiro(a). 

Preservação da líbido 

É repetir novamente a história, mas há dados que demonstram que uma alimentação saudável e variada pode ajudar nesta questão. Mas ainda também a prática regular de exercício físico. Sendo a atitude positiva também um ponto a ter em consideração. 

Secura vaginal

Caso sinta este sintoma pode abordar junto do seu oncologista. Ou mesmo numa consulta de ginecologia. Existindo medidas como hidratantes vaginais (existem diferentes marcas). Mas também a utilização de lubrificantes

A minha ginecologista aconselhou-me experimentar os hidratantes Woman Isdin Hidratante Vulvar ou o Ainara. E o lubrificante Sensylube da Durex (ver aqui). 

Eu comprei estes produtos na farmácia. Mas há a possibilidade de os comprar também em parafármacias ou mesmo online. Por vezes estes produtos encontram-se em campanhas interessantes. 

Alterações de humor

As emoções neste período podem ser vivenciadas de modo mais intenso, o que pode conduzir a episódios de ansiedade ou estados de depressão.

Sendo recorrente o surgimento de pensamentos negativos e com isto uma maior tendência a ter crises de choro. 

Neste sentido, a utilização de técnicas de gestão emocional (mindfulness ou atenção plena, psicoterapia, meditação, yoga) são de extrema importância durante a menopausa. 

Sexo e cancro 

O cancro provoca uma gigantesca mudança física, quer pelos tratamentos de quimioterapia (queda de cabelo, cansaço, enjoos), mas depois também a cirurgia à mama ou a sua remoção (mastectomia). E depois uma radioterapia em que ficamos com a pele queimada….

Isto é, as situações vivenciadas durante a luta contra o cancro não são propriamente as que ligamos a qualquer sensualidade. A associar ainda mudança nas hormonas. Ou seja, é um período bastante difícil em termos físicos e, consequentemente, psicológicos.  

Porém, sempre pensei que quanto mais afetasse a minha vida, pior seria. O que levaria a uma espiral negativa. Assim como, considero que a vida sexual é  até um aspecto que nos pode ajudar nesta altura. 

Como melhorar a sexualidade durante o cancro?

Conhecer e ter orgulho do nosso corpo

Certamente, o nosso corpo estará bastante diferente do que conhecíamos, mas podemos aceitar este aspecto e ressalvar as partes positivas.

Mas como? Durante a quimioterapia ao sentir os efeitos concentrava-me que este era um processo que teria que passar para destruir o cancro. Na cirurgia, e apesar inicialmente não ter gostado da minha mama, fui-me habituando e acabei por gostar até mais deste seio. Radioterapia era a etapa final, e após passar por este tratamento estava com esperança que a situação global melhorasse, o que aconteceu (mas não logo a seguir).

Cuidar de nós

Comprar aquela roupa que sempre desejamos. Apostar na nossa imagem para sentirmos-nos bem. Mas também ter em conta alimentação variada, prática regular de exercício físico. 

Mas isto significa que tenho que andar sempre arranjada? Se quiser, sim. Mas se não quiser, não. Eu não andei sempre arranjada. Mas quando ia sair ou fazer algo especial tinha mais atenção ao meu aspecto (maquilhagem, gorro mais elegante, roupa que gostava…), o que fazia com que me sentisse melhor

Gestão emocional

Não é uma altura fácil. Para quem passa pelo cancro mas também por quem nos rodeia. Mas todos as partes têm que ser compreensivas e empáticas.

Criar situações com o parceiro

Ir a restaurantes novos. Ter atividades em conjunto diferentes. Na altura da quimioterapia não é possível fazermos grandes viagens, e é necessário  ter todo o cuidado com o sol, e com infeções. Mas tal não significa que não possamos fazer pequenos passeios em diferentes localidades. E Portugal está cheio de tesouros.  

Desde o diagnóstico até ao término da radioterapia passou quase 1 ano e se passarmos muito tempo dentro de 4 paredes, os nossos pensamentos podem não ser os mais adequados para enfrentar o cancro

Durante a quimioterapia, se ia a um espectáculo tentava ir com um cachecol, e quando quisesse tapava a boca com este acessório. Se ia no carro e estava sol, além de colocar protetor solar constantemente, tentava procurar um local que não tivesse tanto sol (assento traseiro do carro). E aos poucos vamos criando medidas para fazer as coisas que gostamos e que nos fazem bem

Sentir amada(o)

Boas conversas, carícias, gestos que promovam a ligação entre o casal. Mesmo que a sexualidade seja afetada, o relacionamento não tem que ser prejudicado. A meu ver, é importante a pessoa que está a passar por cancro não se sentir rejeitada ou pressionada. Antes pelo contrário, sentir que a outra pessoa também aceita as mudanças. E penso que tal é mais fácil se a outra pessoa for acompanhando o percurso.

Procurar estímulos sexuais

Existem cada vez mais produtos neste sentido. Dentro dos quais lubrificantes, hidratantes. Sem esquecer ainda de cinema ou literatura. Porque não explorar este mundo?

Pensamento positivo

No caso da toma do tamoxifeno muitas são as mulheres que indicam que com o tempo os efeitos secundários vão diminuindo. Desta forma, nos piores momentos podemos visualizar esses melhores momentos que certamente chegarão. Mas nos momentos menos bons, ter este espaço, pois penso que o anormal é alguem passar por cancro e nunca ter um pensamento ou um dia menos bom. 

Utilizar os métodos de contraceção adequados

Caso tenha secura vaginal, a utilização de preservativo pode revelar-se incómoda e desconfortável. Daí a ser importante procurar um método de contraceção que lhe seja mais adequado.

Como expliquei no inicio deste post, estava convencida (estupidamente porque a médica nunca deu-me tal informação) que após a quimioterapia poderia voltar a tomar a pílula como método de contraceção. 

Todavia, no momento que descobri que iniciaria a terapia hormonal, pouco tempo depois da última sessão de quimioterapia, fiquei algo apreensiva quanto a esta questão. Uma vez que a toma do Tamoxifeno pode ser durante 5 anos

O que implicava que não poderia tomar a pílula, além de que continuaria a sentir os  sintomas da menopausa. (E eu a pensar que já me tinha livrado disto). 

Artigo: Menopausa sintomas

Neste sentido, tentei ter uma atitude positiva e prática. Com isto, constatei que teria que, de facto, aprender como lidar com a menopausa. E procurar métodos de contraceção adequados

Assim, através de pesquisas, surgiu a ideia de DIU (dispositivo intra-uterino), em que na consulta de Oncologia seguinte coloquei esta questão à minha médica, tendo tido um aproval, desde que fosse o DIU de cobre

Onco-sexologia

Sendo a sexualidade uma parte tão importante na nossa vida, penso ser importante esta questão ser analisada por nós. Existindo cada vez mais instituições de saúde com serviços de Onco-sexologia. Infelizmente, penso ainda não existir no hospital de São João. 

Mas tal não significa que não possamos pensar neste assunto e colocar as nossas dúvidas junto do oncologista ou outros profissionais de saúde

Posted in cancro da mama, gestão emocional, menopausa | sexualidade | (in)fertilidade

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